O governo brasileiro enviará mais dois voos com ajuda humanitária à Venezuela neste sábado (27). As aeronaves vão transportar um hospital de campanha, medicamentos, insumos para a saúde, purificadores de água e equipes especializadas para atender as vítimas dos terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24). A operação foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atende a um pedido do governo venezuelano.
Pela manhã, um avião da Força Aérea Brasileira parte da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, levando uma Unidade Avançada de Trauma do Hospital de Campanha da Marinha do Brasil, 48 militares responsáveis pela operação da estrutura e 100 purificadores de água com painel solar, com capacidade para tratar cinco mil litros por dia cada. Os equipamentos serão doados à Defesa Civil da Venezuela.
No período da tarde, um terceiro voo levará cinco kits de calamidade com 111,8 mil medicamentos e insumos, além de um módulo complementar para a instalação do hospital de campanha. Entre os materiais enviados estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, dispositivos para infusão, seringas, luvas, esparadrapos e máscaras. Segundo o governo federal, a quantidade é suficiente para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês, e as doações não comprometem os estoques do Sistema Único de Saúde.
A primeira missão brasileira chegou à Venezuela na noite de sexta-feira (26), após decolar da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo. A equipe reúne 44 profissionais, entre integrantes dos Corpos de Bombeiros Militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, especialistas da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. A aeronave também transportou seis cães farejadores e equipamentos para operações de busca e resgate.
Os técnicos da Anatel utilizarão analisadores de espectro e antenas direcionais para localizar sinais de telefones celulares sob os escombros e auxiliar as equipes no resgate de vítimas.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que seguirá “acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”.
A mobilização brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores. O governo informou que permanece à disposição das autoridades venezuelanas e de organismos internacionais para ampliar o apoio conforme as necessidades identificadas.

Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 provocaram desabamentos de edifícios em Caracas e outras cidades, sobretudo no estado de La Guaira. Segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano, 920 pessoas morreram e cerca de 2,9 mil ficaram feridas. As operações de busca continuam e as autoridades afirmam que o número de vítimas pode aumentar.
Segundo estimativa apresentada neste sábado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos de 24 de junho. O cálculo considera análises populacionais e de danos e inclui cerca de 2 milhões de habitantes de Caracas.

