Barbarize inicia neste mês de junho a circulação gratuita do espetáculo “Manifexta” no Recife, levando ao público apresentações que unem música ao vivo, dança, performance, artes visuais e estética afrofuturista em dois territórios periféricos da cidade. A estreia acontece neste sábado (27), na Várzea, na Zona Oeste, e a segunda apresentação será no dia 4 de julho, na comunidade Ilha de Deus, na Zona Sul, ambas às 19 horas, com acesso gratuito, classificação livre e recurso de acessibilidade em Libras.
O projeto marca a nova fase do grupo recifense, que nasceu na comunidade do Bode, no bairro do Pina, e é liderado por Bárbara Vitória e YuriLumin. Em cena, o coletivo apresenta o repertório do álbum “Manifexta”, lançado em outubro de 2025, com canções que combinam letras autorais, elementos de percussão, cordas e forte presença performática. A proposta do show amplia a experiência sonora para uma linguagem cênica que envolve corpo, figurino, coreografias e intervenções visuais.
A formação em palco reúne Deliira na discotecagem, Yara Medusa e Gustavo Barros na dança, Arnaldo Deodato na percussão e Dio Santos na guitarra, além da direção de coreografia assinada por Yara Medusa e Victor Marinho. O figurino é de Thiago Amaral, do Coisas d. Thi. Toda a equipe técnica é formada por profissionais de Pernambuco, reforçando o recorte territorial, racial e de classe que atravessa o trabalho do grupo.
Para Bárbara Vitória e YuriLumin, a proposta vai além da apresentação musical. “Manifexta, o novo show do grupo Barbarize, chega aos territórios de relevância cultural e social do Recife, com a própria identidade, atitude, códigos e influência do mangue”, destacam os artistas.
Além dos shows principais, a circulação inclui uma programação artístico-cultural construída em parceria com coletivos locais. Na Várzea, o evento conta com DJ Futurista, a Família Malanarquista, grupo que mistura circo, teatro de rua e intervenções artísticas, e DJ Deliira, com apoio da República Independente da Várzea. Já na Ilha de Deus, a articulação é feita com o coletivo Caranguejo Uçá, reunindo o Grupo Percussivo Ilha de Deus, o Coco do Boi da Mata, da Várzea, e novamente DJ Deliira, fortalecendo o intercâmbio entre expressões da cultura popular.
A produção executiva e coordenação geral são assinadas por Jéssica Jansen, que destaca o caráter itinerante da circulação, inspirada em experiências de grupos mambembes, que levavam arte de rua a diferentes territórios. A proposta, segundo ela, é estimular a convivência entre artistas e comunidade, ampliando o diálogo entre linguagens e fortalecendo a cena cultural local.
O projeto também busca impulsionar a economia criativa e incentivar a ocupação cultural dos espaços públicos, valorizando artistas e iniciativas já existentes nos territórios. A circulação é financiada pelo Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife, por meio do Fundo de Incentivo à Cultura, com gestão da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e da Prefeitura do Recife.
A Várzea, onde acontece a primeira apresentação, é reconhecida por sua tradição de movimentos culturais e ocupações artísticas. Já a Ilha de Deus é um território marcado pela pesca artesanal e pela forte organização comunitária, onde a cultura se mantém como instrumento de memória, resistência e continuidade dos saberes locais.
Com trajetória iniciada em 2021, o Barbarize já soma mais de 30 músicas lançadas nas plataformas digitais e uma produção audiovisual extensa, incluindo o álbum visual “SobreVivências Periféricas”, o filme-show “Becos da Realeza” e videoclipes como “Aquitaquente”, que ultrapassa centenas de milhares de visualizações. O grupo também participou do Festival Rec-Beat em 2026 e lançou recentemente o clipe “Mangue”, com participação de Fred 04, do Mundo Livre S/A.

