Eurasia: Segurança pública pode impulsionar “onda azul” na América Latina

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A segurança pública é o principal fator por trás da chamada “onda azul” na América Latina, segundo análise de Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, em entrevista ao Guerra Mundial. O comentário foi feito no contexto do encontro entre Flávio Bolsonaro e Javier Milei, em Buenos Aires.

Garman avaliou que as sucessivas vitórias da direita na região refletem, em grande medida, a preocupação crescente da opinião pública com a criminalidade.

“A grande preocupação na maioria dos países da América Latina se encontra em segurança pública”, afirmou. “Tem a ver com o crescimento do crime organizado, o padrão de criminalidade que nós estamos vendo, roubo de celulares.”

Candidatos conservadores e o tema da segurança

Segundo Garman, candidatos conservadores tendem a ser mais competitivos justamente nesse eixo temático, o que explicaria parte do avanço da direita no continente.

No entanto, ele ponderou que há uma segunda hipótese para essas vitórias: “A maioria das vitórias da direita provém de governos que estavam sendo fragilizados com demandas que são muito difíceis de atender e contemplar.”

Para ele, assim como a esquerda surfou uma onda de desencanto há quatro anos, agora a direita estaria fazendo o mesmo.

Brasil em posição diferente dos demais países

Garman destacou que o Brasil ocupa uma posição intermediária nesse cenário. “O Brasil se encontra num quadro no meio”, disse, acrescentando que Lula possui índices de aprovação mais elevados do que os governos de esquerda que foram derrotados em outros países da região.

Ainda assim, o analista reconheceu que o tema da segurança pública também se aplica ao contexto brasileiro.

Para Garman, o resultado das eleições no Brasil será determinante para consolidar ou relativizar a narrativa da “onda azul”.

“Se no Brasil o presidente Lula prevalecer na reeleição, aí metade do PIB da América Latina vai ser governado pela esquerda, porque os dois principais países, México e Brasil, estarão governados pela esquerda”, afirmou.

Com isso, segundo ele, o conceito de onda conservadora precisaria ser relativizado diante do peso econômico dessas duas nações.

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