Frigoríficos brasileiros atingiram a cota de exportação de carnes para a China de forma integral neste fim de semana. Com isso, o Brasil deve parar de exportar até que o país asiático escolha pagar por uma taxa de compra do produto.
O cálculo é da consultoria Safras & Mercado, baseado na evolução dos embarques com base nos dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De janeiro até 30 de junho, o Brasil enviou 100,06% da proteína animal aos chineses.
Isso corresponde a um volume limitado a 1,106 milhão de toneladas para embarques sem tarifa adicional.
O mercado já sinalizava que este volume ficou abaixo do ritmo recente das vendas brasileiras ao principal destino da proteína, o que acendeu o alerta no setor para um possível esgotamento antecipado da cota ao longo do ano.
Agora, se a China for comprar carne do Brasil passa a valer uma sobretaxa de 55% sobre o excedente, o que tende a reduzir a competitividade da carne brasileira e pode forçar frigoríficos a redirecionar parte da produção para outros mercados.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o desempenho das exportações de carne bovina mais uma vez foi bastante satisfatório graças à China. Só em junho, foram enviadas 158,36 mil toneladas de carne bovina, com ritmo bastante acelerado de exportação.
Os números do sexto mês do ano representam 14,32% da cota total disponibilizada pela China na última virada de ano, delineando o esgotamento oficial da cota brasileira, uma vez que o volume embarcado no último bimestre de 2025 precisa ser considerado.
“O que também chama a atenção é a lentidão da China em emitir os alertas de preenchimento da cota em relação ao Brasil, apenas o gatilho de 50% foi acionado até o momento, com vendas tão aceleradas em abril e principalmente em maio a expectativa é que o alerta do MOFCOM já deveria ter sido acionado para o alerta de 80% de preenchimento da cota”, explica o relatório da consultoria gaúcha.
A demora se justificaria pelos gargalos de internalização do produto por parte das autoridades chinesas.
A partir de agora, a atenção do mercado se volta para as exportações de julho, que serão imprescindíveis para entender como funcionará a dinâmica dos embarques de carne bovina do Brasil para outros parceiros comerciais que não a China.
Entre a lista de clientes estão Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina, os últimos três são sintomas de triangulação para atingir o mercado chinês de maneira indireta, conforme destacou a Safras & Mercado.
Em paralelo, a demanda do mercado americano cresce e outros países também encostam no esgotamento das cotas. É o caso da Austrália.

