Análise: Apesar de esforços de Trump, mercado cripto segue espiral de queda

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O empreendimento de criptomoedas da família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, arrecadou mais de US$ 1 bilhão no ano passado, somando-se às dezenas de milhões em receitas provenientes de seus investimentos imobiliários, de acordo com a mais recente declaração financeira dele.

Para a indústria de criptomoedas, no entanto, o novo mandato de Trump tem sido complexo.

O retorno de Trump à Casa Branca veio acompanhado de uma onda de entusiasmo entre os investidores de criptomoedas.

Embora Trump tenha dito anteriormente que as criptomoedas “pareciam um golpe”, ele mudou radicalmente de postura durante a campanha de 2024, prometendo transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas” e aceitando milhões em doações de campanha provenientes do setor.

O bitcoin, a criptomoeda mais popular e um termômetro do setor, bateu recordes sucessivos após a vitória de Trump.

Essa disparada foi impulsionada pela promessa do presidente de abrir caminho regulatório para a indústria, que há muito reclamava de ser alvo de perseguição injusta por parte da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, s SEC, durante a gestão de Joe Biden.

No ano seguinte ao dia das eleições de 2024, o valor do bitcoin disparou mais de 80%, atingindo uma máxima histórica acima de US$ 126 mil em outubro de 2025.

Desde então, o bitcoin perdeu todos os ganhos obtidos durante a Era Trump — e até mais do que isso.

Nesta semana, enquanto o mercado de ações dos EUA registrava o melhor trimestre em seis anos, o bitcoin oscilava abaixo da marca de US$ 60 mil, acumulando uma queda de mais de 50% em relação ao seu pico.

A forte desvalorização do bitcoin ocorre apesar de Trump ter estendido o “tapete vermelho” regulatório para o setor.

Nos últimos dois anos, a Casa Branca tornou-se uma entusiasta do universo das criptomoedas, nomeando autoridades favoráveis ​​ao setor para a SEC e propondo uma “reserva estratégica de bitcoin” para dar suporte ao valor do ativo.

O presidente reuniu-se também com líderes do setor em um evento na Casa Branca e defendeu, no Congresso, dois projetos de lei bipartidários apoiados pela indústria, que visam estabelecer diretrizes federais mais claras para a emissão e a negociação de ativos digitais.

Ao mesmo tempo, a SEC desistiu de uma série de ações de fiscalização contra empresas de criptomoedas e investidores com vínculos com a família Trump.

Hilary Allen, professora de direito da American University, argumenta que o cenário é como “uma faca de dois gumes”. O setor de criptomoedas quer ser visto como legítimo para atrair novos recursos, mas há limites para os esforços de Trump para legitimar uma indústria há muito associada a fraudes.

“Os empreendimentos da família Trump não melhoraram a percepção de que as criptomoedas estão ligadas a golpes”, afirmou Allen.

Na quarta-feira (1°), Trump minimizou as preocupações de que estaria lucrando com um setor supervisionado por sua administração, atribuindo o aumento de sua riqueza à alta do mercado de ações.

A Casa Branca tem negado sistematicamente a existência de conflito de interesses nas finanças do presidente, ressaltando que ele não participa ativamente da gestão dos próprios negócios ou investimentos.

Embora os preços das criptomoedas tenham enfrentado dificuldades recentemente, a empresa de criptoativos de Trump, a World Liberty Financial, arrecadou mais de US$ 500 milhões com a venda de tokens no ano passado, segundo o documento mais recente.

A maior receita dele — US$ 635 milhões — veio de um contrato de licenciamento relacionado à sua memecoin: que não possui valor intrínseco e perdeu 98% de valor desde o lançamento, que ocorreu pouco antes da posse de Trump.

As criptomoedas são formas de dinheiro digital descentralizado, como o bitcoin e o ethereum.

No entanto, esse setor — que existe há cerca de 15 anos — tem operado em grande parte à margem do sistema financeiro tradicional: essas moedas digitais ainda não são amplamente aceitas como pagamento por bens e serviços, e o valor pode ser volátil.

Historicamente, o bitcoin e outros ativos digitais acompanharam o desempenho de ativos de risco, como as ações de empresas de tecnologia. Mas, durante a maior parte do último ano, o mercado de criptomoedas entrou em uma espiral de queda, em parte porque investidores migraram recursos para o setor de inteligência artificial.

O mercado também foi abalado por uma mudança de postura da Strategy (anteriormente conhecida como MicroStrategy) — empresa que acumulava grandes reservas de bitcoin e que reverteu a promessa, mantida por muito tempo, de nunca vender a criptomoeda.

Analistas afirmam que uma recuperação pode estar longe de acontecer.

“A onda mais intensa de vendas parece estar perdendo força, mas a demanda ainda não retornou”, afirmou Yusuf Fakhro, sócio da ARP Digital — empresa de infraestrutura para o setor de criptomoedas — em um comunicado divulgado nesta semana.

Ele prevê que o mercado caminha para um cenário de “declínio gradual”.

A desvalorização, que já dura meses, evidencia os riscos de investir em criptomoedas, ativos que, via de regra, não constituem uma reserva de valor confiável quando comparados ao dólar americano ou a outras moedas lastreadas por governos.

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