A decisão do governo dos Estados Unidos de permitir que a Ucrânia produza seus próprios mísseis interceptadores da classe Patriot pode demorar anos para gerar resultados concretos. Segundo Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ao Guerra Mundialespecialistas consultados pela CNN americana estimam que uma produção efetiva e em quantidade suficiente pode não estar disponível antes de 2028.
A medida foi apresentada como um benefício para a Ucrânia, na medida em que o país passaria a ser capaz de manter seu próprio estoque desse tipo de armamento. Os mísseis interceptadores Patriot são utilizados para proteger o território ucraniano de ataques russosincluindo mísseis e drones, sendo considerados essenciais para a defesa do país.
Complexidade da produção levanta dúvidas sobre o período de transição
Brancoli alertou, no entanto, que a fabricação desse tipo de armamento é extremamente complexa. “Não se trata de uma torradeira que você consegue montar em algumas semanas e começar a produzir”, afirmou o especialista, ressaltando a sofisticação e o alto custo dos interceptadores.
A questão central, segundo ele, é o que acontecerá com o estoque ucraniano até que essa produção se torne viável, ou seja, até 2028.
O professor também contextualizou a situação dentro de um quadro mais amplo: os Estados Unidos vêm argumentando que parte significativa de seu estoque militar foi consumida de forma intensa ao longo dos últimos 12 meses, tanto no conflito com o Irã quanto na guerra da Ucrânia, que se arrasta há anos.
Trump menciona possível viagem a Moscou e pergunta a Zelensky
Outro ponto destacado por Brancoli foi uma declaração feita por Donald Trump durante a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), na Turquia. Trump comentou que poderia ir a Moscou conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, e chegou a perguntar ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, se ele também iria à capital russa.
Segundo Brancoli, Zelensky respondeu que não faria a viagem, justificando que havia muitos drones ucranianos nos céus de Moscou, tornando a situação perigosa. Para o especialista, as falas de Trump apontam em uma direção, mas quando analisadas em maior profundidade, “a coisa vai ganhando contornos um pouco mais sinistros”.

