Bombeiros franceses combatem um enorme incêndio florestal ao sul de Paris, enquanto uma onda de calor devastadora estende sua trajetória mortal pela Europa.
Mais de 800 hectares da floresta de Fontainebleau foram consumidos pelo fogo, informou nesta segunda-feira (13) a BFMTV, emissora afiliada da CNN, e aeronaves de combate a incêndios têm captado água do rio Sena como parte dos esforços para controlar as chamas.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, disse a repórteres que a polícia está investigando se o incêndio foi iniciado deliberadamente. Incêndios florestais também haviam começado em outras partes do país, afirmou Nuñez em publicação no X no domingo (12).
Incêndios florestais não são incomuns na Europa, mas a crise climática está provocando um clima mais quente e seco, criando condições para temporadas de incêndios mais intensas. Eles também estão acontecendo mais cedo no ano e ganhando intensidade.
Em grande parte da França e da Espanha, um inverno excepcionalmente chuvoso deixou muita vegetação que rapidamente se transformou em material altamente inflamável, à medida que três ondas de calor sucessivas fizeram as temperaturas chegarem à casa dos 30°C.

Isso levou a um aumento acentuado no número de incêndios de maior porte, segundo dados do Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais.
O calor extremo também está provocando um excesso de mortes. Na França, mais de 2.000 mortes ocorridas durante a última semana de junho foram atribuídas ao calor. O país registrou seu dia mais quente da história em 24 de junho.
O número de mortes aumentou 29% na última semana de junho em relação à semana anterior, segundo a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, que observou um “aumento claro” nos óbitos entre pessoas com mais de 45 anos.
E é provável que essa tendência continue nos próximos anos, uma vez que a Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo, com temperaturas aumentando mais do que o dobro da velocidade da média global, segundo o Serviço Copernicus para as Mudanças Climáticas da União Europeia.
Onda de calor na Europa
Na Espanha, pessoas continuam desaparecidas após um incêndio que matou 13 pessoas no sul do país na semana passada.
Mais de 460 profissionais de emergência foram mobilizados para combater o incêndio perto da cidade de Los Gallardos, na costa de Alméria, informou na sexta-feira (10), o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
O número atual de mortos faz deste o incêndio florestal mais letal na Espanha desde 2005, quando 11 bombeiros morreram na província central de Guadalajara após um incêndio ter sido iniciado por um churrasco, informou a agência de notícias Reuters.
No mês passado, a Espanha estabeleceu recordes nacionais, com temperaturas que, em alguns dias, ficaram 7,1º C acima da média, segundo o serviço meteorológico nacional AEMET.

Na Inglaterra e no País de Gales, estima-se que mais de 2.700 pessoas tenham morrido por causas relacionadas ao calor durante as ondas de calor de maio e junho, informou nesta segunda o serviço meteorológico nacional do Reino Unido.
O calor também provocou um aumento acentuado no número de afogamentos. Na Alemanha, pelo menos 99 pessoas morreram afogadas em junho, o maior número mensal de mortes desde 2003.
Além da ameaça imediata à vida, as ondas de calor também estão causando efeitos secundários importantes.
Por exemplo, temperaturas mais elevadas nos rios estão afetando as usinas nucleares da França, que necessitam de água para refrigeração. A concessionária francesa EDF informou que a geração de energia na usina nuclear de Nogent, situada no rio Sena, será reduzida nesta semana, a segunda vez neste verão. Outro reator, localizado no rio Garonne, no sudoeste da França, suspendeu a produção depois que a temperatura da água atingiu os 28ºC.
As ondas de calor também levaram a uma redução acentuada nas previsões de safra, especialmente para o milho. A Coceral, associação europeia de comércio de grãos, reduziu sua previsão de produção de milho na UE e no Reino Unido para 52,7 milhões de toneladas, abaixo dos 57,2 milhões previstos no mês passado.
Espera-se que a colheita de milho da França, inferior a 10 milhões de toneladas, seja a menor em duas décadas. A Coceral também reduziu as previsões de produção de cevada e trigo em toda a Europa.
Além disso, o clima mais tropical no sul da Europa está contribuindo para o aumento de doenças transmitidas por mosquitos e outros insetos. Um estudo italiano recente constatou que, entre 2013 e 2022, o risco de epidemias de dengue na Europa aumentou 56% em comparação com o período de 1951 a 1960.
“Doenças como malária e dengue, tradicionalmente restritas a zonas tropicais, estão agora surgindo em áreas temperadas e urbanas”, afirmaram os autores.

