Flávio Bolsonaro tentou usar carta do pai como ‘boia de salvação’ na campanha, diz cientista político

Publicada em

Decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proíbe visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), até depois do primeiro turno das eleições. O motivo da proibição é atribuído à carta enviada por Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar, ao filho, declarando apoio à candidatura dele à presidência.

O cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a divulgação da carta é uma tentativa de Flávio se colocar como única opção dentro do bolsonarismo e conseguir fidelizar apoiadores que possam desconfiar da legitimidade de sua candidatura após os escândalos envolvendo a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro e o racha familiar exposto no vídeo de Michelle Bolsonaro.

“Dentro dos cálculos políticos, nesse momento, ele está tentando segurar o apoio dos bolsonaristas, virar uma espécie de tradutor do pai, de mediador para se comunicar com o eleitorado. Especialmente após os questionamentos da madrasta. Afinal, Michelle fez o que fez com a anuência de Bolsonaro ou não? Então faz parte de uma estratégia do Flávio, em que, nesse momento, sua candidatura está bastante questionada no campo da direita”, argumenta em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Nesse contexto, segundo Souza, “Bolsonaro aparece como uma boia de salvação a Flávio”, mas, como condenado, ele não pode se comunicar de forma livre. “Quando você está em prisão, mesmo que domiciliar, há coisas que você não pode fazer.”

Para o cientista político, independentemente da decisão de Moraes, os bolsonaristas tentarão capturar a narrativa como grupo perseguido pelo STF. “Os bolsonaristas já usam qualquer coisa da justiça como perseguição. Já usam a condenação de Jair pela tentativa de golpe como perseguição. A Suprema Corte não tem que se preocupar com isso. A Suprema Corte é um poder moderador e precisa fazer valer a Constituição”, destaca.

Paulo Roberto de Souza também avalia os recentes escândalos envolvendo o ex-deputado cassado Eduardo Cunha e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, apontados como beneficiários de emendas parlamentares, mesmo não tendo cargo no Congresso.

Segundo ele, não haverá oscilação significativa no processo eleitoral frente a essas situações, porque há uma grande parcela do eleitorado de direita, mais vinculado ao bolsonarismo, que não se impacta com escândalos. Além disso, Souza avalia que o eleitor compreende a política brasileira como duas áreas separadas: a ideológica, muito vinculada ao presidente, e a pragmática, representada pelo Congresso Nacional.

Essa compreensão, segundo o cientista político, se deu porque o sistema político brasileiro é baseado no presidencialismo de coalização. “Tanto à direita quanto à esquerda, elegem pessoas do Centrão. Esse Centrão é visto pela base aliada como um custo da governabilidade. E aí todo mundo diz que a culpa é do outro. Mas o Centrão é eleito pelos dois campos. Só que esse Centrão age por conta própria. O que a gente vê é que se transformaram em empresas, e as emendas Pix são um exemplo disso. É toda uma arquitetura de manutenção desse Centrão”, analisa Paulo Roberto de Souza.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Source link