Reggae chegou a São Luís como ritmo de operários e domésticas, lembra cantora Célia Sampaio

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Há quem diga que o reggae ganhou força em São Luís, capital do Maranhão, na década de 1970, por meio de ondas curtas que sintonizavam emissoras caribenhas no rádio. Já Célia Sampaio, a Dama do Reggae, primeira mulher a gravar um álbum do gênero no Brasil, cita outros fatores.

“Já falaram que o reggae desembocou aqui porque os mesmos negros da mãe África que foram para a Jamaica foram os mesmos que vieram para cá”, diz a cantora em entrevista ao programa Conversa Bem Viversim Rádio Brasil de Fato.

Para a precursora do movimento reggae no Brasil, independentemente dos caminhos que levaram o estilo musical ao Maranhão, o que importa é o que o ritmo virou nas mãos do povo maranhense. “A gente criou nossa própria forma de se identificar, que foi através da dança. O movimento foi crescendo dentro da periferia. O lazer dos pobres era o reggae. Nos salões de reggae, a maioria dos frequentadores, nos anos 1980 e 1990, eram empregadas domésticas, eram operários”, completa Sampaio.

A trajetória até que São Luís fosse reconhecida como a Capital Nacional do Reggae não foi fácil. “As pessoas que se envolviam com reggae eram discriminadas, primeiro porque é coisa de preto, e daí vêm as outras discriminações. A polícia batia nos salões e levava os negros presos. Os brancos ficavam. Quando era com os negros, as coisas eram muito mais violentas. (O movimento) passou por muita coisa, muita discriminação, até chegar a atingir outras classes sociais.”

A cantora maranhense lançou recentemente o single “Trouxe Pra Mim”, em parceria com Humberto Filho de Maracanã, ícone do Bumba Meu Boi, outra manifestação cultural tradicional no Maranhão. Célia Sampaio explica que essa miscelânea cultural é típica da cidade.

“Nós já temos um caldeirão cultural muito grande, com o Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula, a cidade fica em festa. E o reggae também no meio, apimentando esse caldeirão! É todo mundo na paz, mesmo porque as pessoas que são da cultura popular também são as que dançam reggae.”

O reggae no Brasil

O ritmo surgiu cantado em inglês, idioma oficial da Jamaica. Para a Dama do Reggae, a barreira linguística nunca foi impedimento para que o estilo musical integrasse a cultura do Maranhão. “Nós não precisamos entender a poesia para a gente cultuar essa música. Seria bom que se entendesse as letras que estão sendo cantadas, mas nós entendemos o ritmo. Nós nos comunicamos com a linha melódica.”

O estilo musical de origem jamaicana ganhou fama não apenas no Maranhão, mas tem membros do movimento nas cidades de Belém e Salvador. Cada um desses lugares tem sua especificidade. “Lá (em Salvador), ele já tem uma cultura de som ao vivo, de bandas. Você vai ver lugares específicos do reggae. (No Maranhão) você está parado, em qualquer lugar, no centro, nos bairros de periferia, nos interiores, e você escuta”, compara cantora.

Conversa Bem Viver

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