Lídia Moura repudia áudio misógino contra policiais penais e cobra providências na Paraíba

Publicada em

A circulação de um áudio com declarações ofensivas contra policiais penais mulheres e mulheres trans provocou indignação na Paraíba e reacendeu o debate sobre misoginia, transfobia e violência de gênero no serviço público. O caso, ocorrido nesta segunda-feira (20), mobilizou representantes da sociedade civil, defensoras dos direitos das mulheres e internautas, que cobram apuração e medidas rígidas para evitar a repetição de práticas discriminatórias nos ambientes institucionais.

Diante da gravidade dos fatos, a ex-secretária de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba e pré-candidata a deputada federal pelo PSB, Lídia Moura, publicou um manifesto em vídeo em suas redes sociais prestando solidariedade às agentes penitenciárias. Lídia defendeu que o episódio receba o tratamento rigoroso que a lei exige, alertando que manifestações dessa natureza alimentam uma cultura de violência e desrespeito contra as mulheres.

Violência começa pelo desrespeito

Ao comentar o caso, Lídia Moura destacou que a violência contra as mulheres possui diferentes formas de manifestação e que agressões verbais não podem ser tratadas como algo normal no cotidiano.

“São muitas as formas de violência contra as mulheres, todas elas muito cruéis. O desrespeito é uma dessas formas – e grave, porque pode desencadear violências ainda mais severas. Há um áudio circulando pela internet da mais absoluta falta de respeito contra agentes penitenciárias, contra servidoras do sistema penitenciário”, afirmou ela.
Segundo Moura, o conteúdo gravado ultrapassa qualquer divergência profissional e reproduz discursos machistas historicamente utilizados para inferiorizar e deslegitimar as mulheres em seus espaços de trabalho.

Misoginia e transfobia

No pronunciamento, a ex-secretária chamou atenção para o fato de que as falas presentes no áudio atingem intencionalmente mulheres cisgênero e mulheres trans, ampliando o caráter discriminatório e criminoso do episódio.
“Quero aqui me solidarizar com essas servidoras diante desse áudio, em que um servidor se refere às mulheres utilizando um termo pejorativo para o órgão sexual feminino, referindo-se às escalas em que as mulheres teriam privilégio. Inclusive, ele inclui as mulheres trans com desrespeito, com misoginia e com transfobia”, declarou.

Corrente de solidariedade nas redes

A denúncia pública feita por Lídia Moura gerou uma forte onda de apoio digital, funcionando como um termômetro da indignação coletiva da categoria. No perfil oficial da pré-candidata no Instagram, dezenas de policiais penais e defensoras dos direitos humanos endossaram o manifesto de repúdio e cobraram justiça.
A voz das profissionais de segurança pública foi representada pelo comentário da policial penal Ivana (@policialpenalivana), que destacou o impacto do ataque no ambiente institucional: “quando uma de nós é diminuída ou agredida, a força do nosso coletivo é atingida”.

A urgência por respostas institucionais firmes também marcou a manifestação da internauta Leandra Cardoso (@leandra.cardoso), que pontuou que “é urgente a criminalização da misoginia”. A internauta Bela Dantas (@bela13dantas) arrematou a discussão cobrando punição exemplar ao autor dos áudios: “denunciar é o primeiro passo, mas punir é preciso”, reforçando que falas preconceituosas e machistas no funcionalismo público paraibano não serão normalizadas.

Reação institucional

O Secretário de Estado da Administração Penitenciária, Tércio Chaves, emitiu uma nota oficial de repúdio confirmando a instauração de um procedimento disciplinar interno para apurar a veracidade dos fatos e identificar formalmente o autor dos ataques. No documento, a gestão estadual garantiu o devido processo legal e prestou apoio às servidoras afetadas, afirmando que condutas dessa natureza criam um ambiente nocivo e são contrárias aos valores defendidos pela Polícia Penal paraibana. A abertura das investigações representa um passo fundamental para que discursos discriminatórios não fiquem impunes dentro do funcionalismo público.

Source link