A convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) oficializou neste sábado (25), em Campinas (SP), a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. O ato na Arena Concórdia apresentou as diretrizes do programa de governo da chapa, que conta com Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador, e oficializou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) como candidatas ao Senado.
O evento marcou o início oficial da campanha e consolida a estratégia da aliança de estreitar o diálogo com o eleitorado do interior paulista.
Primeiro a discursar entre os candidatos majoritários, Fernando Haddad (PT) abriu o embate com o atual governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticando as privatizações realizadas por ele. “As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp quanto o Metrô, CPTM, entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d’água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu”, citou.
Nesta semana, os passageiros das linhas de trens 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em São Paulo (SP), enfrentaram um dia de transtornos no início da operação definitiva da concessionária Trivia Trens. Um incêndio após um curto-circuito em um trem da linha 12-Safira interrompeu a circulação dos trens e obrigou passageiros a caminhar pelos trilhos. A operação teve de ser retomada pela CPTM.
Haddad também criticou o desempenho econômico de São Paulo sob o governo Tarcísio, que registrou crescimento do PIB de apenas 0,4% nos últimos 12 meses, frente à média nacional de 2%. “Como é que o Estado pode estar feliz crescendo um quarto do que cresce o país?”, questionou, apontando ainda o declínio nos indicadores de alfabetização e do ensino médio integral no estado.
O candidato também apresentou indicadores sociais e de segurança pública de São Paulo, destacando que os casos de feminicídio subiram 10% no Estado, na contramão da média brasileira, que registrou queda de 2,5%. Haddad ainda destacou que a população em situação de rua em solo paulista cresceu 82%, de acordo com dados da Fundação Sead.
“Qual é a disputa que a gente faz com o Tarcísio? O que é possível disputar com ele, se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado? Na segurança, na saúde e na educação, população em situação de rua”, ironizou Haddad.
A apresentação do ato político contou com a participação da poetisa Kimani, moradora do Grajaú e referência no movimento slam, que apresentou uma poesia falada criticando os problemas cotidianos enfrentados pela população paulista, como as falhas nos trens privatizados, a falta de água e a violência urbana.
Simone Tebet (PSB) subiu ao palanque na sequência e reforçou que o embate político atual repete as tensões da última eleição nacional. “Não podemos nos enganar. 2022 não passou. Nós estamos no ano de 2026, enfrentando os mesmos desafios do passado”, disse a candidata ao Senado, que criticou a ineficiência de concessões públicas recentes, como o serviço de água prestado pela Sabesp privatizada.
Já Marina Silva (Rede) abordou a necessidade de defender a soberania do país e as estruturas democráticas. A candidata ao Senado criticou a mercantilização de serviços básicos ao afirmar que “o que é básico está sendo tratado como mercadoria. Água não é mercadoria”. Ela também apontou o abandono do governo paulista aos professores com o uso de plataformas digitais no ensino estadual, que não deveria substituir o papel fundamental dos docentes.
Candidato a vice-governador, Márcio França (PSB) ressaltou a paridade de gênero da chapa, que conta com dois homens e duas mulheres nos cargos majoritários, contrastando com a chapa adversária, formada exclusivamente por homens. França também dirigiu críticas à trajetória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificando-o como “ingrato” em relação às suas alianças políticas passadas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) focou seu pronunciamento na crítica técnica às privatizações de infraestrutura no Estado. Alckmin afirmou que a venda da Sabesp ocorreu abaixo do valor real de mercado e que as concessões do metrô e de trens metropolitanos têm resultado em constantes colapsos operacionais.
O encerramento do evento contou com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele destacou o risco de os adversários utilizarem inteligência artificial para atacar as candidaturas progressistas.
“Esta eleição talvez seja a primeira eleição no Brasil em que os adversários, por não terem tamanho, não terem biografia, por não terem proposta, vão fazer o uso da inteligência artificial para tentar ludibriar a boa-fé do povo de São Paulo. É importante repetir isso. Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais, com inteligência artificial, para inventar coisas que eles não fizeram. A base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira”, disse Lula.
Lula destacou a importância de disputas feitas com respeito à democracia, ressaltando as atuações de Tebet e França, que chegaram a fazer oposição ao PT em outros momentos, mas se alinharam em defesa da democracia.
“Ela foi nossa adversária, mas me tratou com muito respeito no debate e eu a tratei com muito respeito. O resultado de ter esse respeito é que depois das eleições, ela imediatamente anunciou apoio à nossa candidatura e foram os poucos percentual que ela teve, que ajudou a gente chegar à Presidência da República em 2023.”
Convenção
Mais cedo, o diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo oficializou a candidatura de Haddad ao governo do estado. A homologação ocorreu na convenção partidária realizada na Arena Concórdia, em Campinas, marcando a primeira convenção estadual da legenda fora da região metropolitana da capital, com o objetivo estratégico de buscar votos no interior paulista.
A chapa majoritária terá o ex-governador paulista e ex-ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB), como candidato a vice-governador. O ato também confirmou o apoio da coligação às candidaturas das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado Federal. A ampla aliança que sustenta a chapa é composta por PT, PSB, Rede, PDT, PSol, PV e PCdoB.

