O Irã entra na terceira semana de protestos espalhados pelo país nesta segunda-feira (12), o número de mortos em decorrência das manifestações também aumentou drasticamente.
Pelo menos 544 pessoas foram mortas até o momento, e cerca de 10.681 foram presas, segundo a organização de direitos humanos americana HRANA (Human Rights Activist News Agency).
Os protestos começaram em Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime teocrático.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) — a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.
Entenda a escalada dos protestos no Irã ao longo das semanas
28 de dezembro
Lojistas e comerciantes de bazares começam a sair às ruas, entoando slogans contra o regime devido à sua incapacidade de pagar o aluguel após a moeda do país — o rial — atingir mínimas históricas.
31 de dezembro
Um membro da força paramilitar Basij do Irã foi morto e outros 13 ficaram feridos quando protestos se tornaram violentos na cidade de Kuhdasht, no oeste de país, segundo a mídia estatal. Esta é a primeira morte conhecida relacionada aos protestos.
1º de janeiro
Pelo menos cinco pessoas morreram em dois confrontos distintos com a polícia em diferentes províncias. Outras três das mortes ocorreram quando manifestantes invadiram uma delegacia na cidade de Azna, na província de Lorestan, no oeste do Irã, segundo a agência de notícias estatal Fars.
2 de janeiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alerta que seu país intervirá se os manifestantes continuarem sendo mortos. O chefe de segurança nacional do Irã, Ali Larijani, diz a Trump na rede social X que a interferência dos americana causaria “perturbação em toda a região e a destruição dos interesses americanos”.
4 de janeiro
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declara apoio aos manifestantes. No mesmo dia, forças de segurança iranianas invadem um hospital em Ilam, oeste do país, onde prendem manifestantes feridos, uma tática comum do aparato de segurança.
8 de janeiro
O príncipe herdeiro iraniano exilado, Reza Pahlavi, convoca os iranianos a “saírem às ruas e, como uma frente unida, gritarem suas reivindicações”. Imagens verificadas pela CNN mostram protestos em massa por todo o país.
As autoridades cortam o acesso à internet e as linhas telefônicas imediatamente após o início dos protestos.
9 de janeiro
As autoridades reprimem violentamente a dissidência enquanto os manifestantes continuam a marchar. Testemunhas relatam ter visto forças de segurança com armas militares atirando contra as pessoas, com cenas em hospitais descritas como “completamente caóticas”.
11 de janeiro
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, culpa os protestos em curso no país a “terroristas” ligados ao exterior, que, segundo ele, incendiaram bazares, mesquitas e locais culturais.
O número de mortos nos protestos aumenta rapidamente, com centenas de óbitos relatados por grupos de direitos humanos.

