Rio tem aumento na tarifa dos transportes e no repasse às empresas de ônibus

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Quem circula nos transportes públicos do Rio foi surpreendido com o aumento da passagem neste início de ano. A tarifa dos ônibus aumentou de R$4,70 para R$5. Além das linhas regulares, o BRT, VLT, vans e cabritinhos também sofrerem o reajuste que passou a valer no dia 4 de janeiro.

No entanto, o valor pago na catraca não corresponde a totalidade do que as empresas recebem. Isso porque o município complementa em forma de subsídio a remuneração por passageiro, reajustada para R$6,60. A diferença entre esse valor e a tarifa paga pelo usuário é coberta pela prefeitura.

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Segundo o Diário Oficial do município, a revisão tarifária segue parâmetros previstos na legislação e acordos judiciais firmados entre a Prefeitura do Rio, o Ministério Público e os consórcios que operam o sistema Intersul, Transcarioca, Internorte e Santa Cruz.

Para a coordenadora do movimento Tarifa Zero RJ e do setorial de Transportes do Partido dos Trabalhadores (PT), Mallu Cortês, como o aumento coincide com as festividades no final do ano, a população só fica sabendo do novo valor quando vai efetivamente pagar a passagem. O aumento vale também para o Bilhete Único Carioca (BUC).

“É um ato de covardia do poder público, diante de um cenário onde o transporte está cada dia mais precarizado e, não por coincidência, mais caro também”, afirma. “Esse é o colapso que tanto temos alertado, é um ciclo vicioso onde o transporte público, hoje, chega a comprometer mais de 30% do salário mínimo”, aponta Cortês.

Remuneração às empresas

Desde 2022, um acordo estabeleceu o Indicador de Receita por Quilômetro (IRK) como referência para calcular o custo da operação. O índice é o resultado da multiplicação da quantidade de passageiros pela tarifa de remuneração, dividida pela quilometragem.

Com o reajuste, o IRK subiu para R$9 por quilômetro, dos quais R$3,06 são subsidiados. Segundo a projeção da prefeitura, o subsídio público para 2026 será de R$931 milhões.

“Iniciamos o ano pagando mais caro na tarifa e no subsídio, para conta fechar para as empresas de transporte que a cada dia apresentam uma piora no serviço ofertado: menos linhas, menos ônibus circulando, mais ônibus quebrados e sem ar condicionado. Tudo para garantir o lucro dos empresários”, constata Mallu Cortês.

Novo sistema de ônibus

Ano passado, um acordo judicial entre o município e os consórcios responsáveis pela operação das linhas de ônibus no Rio permitiu antecipar a nova licitação do sistema, anteriormente prevista para 2028.

Em meio a discussões sobre a qualidade do serviço prestado, o prefeito Eduardo Paes (PSD) prometeu renovar toda frota de ônibus convencional. Para isso, a prefeitura dividiu a cidade em 34 lotes para tentar garantir maior cobertura e regularidade das linhas que atendem a população.

A primeira etapa começa pela zona oeste, onde a operação é considerada crítica. Com três lotes em Santa Cruz e Campo Grande, o investimento é estimado em R$500 milhões. A sessão pública de concorrência ocorre no dia 6 de fevereiro para que as empresas vencedoras comecem a operar em abril.

A nova frota terá carros zero quilômetro, identidade visual unificada do Sistema RIO, ar-condicionado e acessibilidade. Outra novidade é a bilhetagem exclusivamente eletrônica, o que acaba com o pagamento em dinheiro a bordo. As novas concessões terão validade de dez anos, prorrogáveis pelo mesmo período, e serão avaliadas trimensalmente pelo Índice de Desempenho de Transporte (IDT).

BUI também aumentou

O aumento no sistema de transporte do município ocorreu após o Bilhete Único Intermunicipal (BUI) ter sido ajustado recentemente. O benefício do governo estadual garante a integração de até dois modais, sendo um deles intermunicipal, pagando R$ 9,40 dentro do período de três horas.

Atualmente, mais de 1,5 milhão de pessoas com renda até R$ 3.205,20 utilizam o BUI. O benefício vale em todos os meios de transporte e abrange 20 cidades.

Metrô mais caro do país

Com base no IPCA acumulado, a passagem de metrô pode chegar a R$ 8,20 este ano. No entanto, o reajuste ainda depende de um estudo que será enviado pela concessionária ao Estado em fevereiro e da aprovação da Agência Reguladora de Transportes Públicos (Agetransp).

Segundo especialistas, a ausência de subsídio público explica o alto custo da passagem. O único repasse complementa a tarifa social do metrô (R$ 5) para usuários de baixa renda. Demais passageiros desembolsam R$ 7,90, um valor considerado abusivo pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

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