O Brasil foi convidado, nesse sábado (17), pelo governo estadunidense a compor o “Conselho da Paz” para Gaza.
A organização, criada pelo presidente Donald Trump, integra o plano “20 pontos de Donald Trump para Gaza”, aprovado em novembro de 2025 pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como tentativa de encerrar o genocídio de Israel na Palestina.
Segundo a Casa Branca, o “Conselho da Paz” vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
O Itamaraty confirmou o recebimento do convite ao presidente Lula, que ainda não sinalizou se participará do conselho.
O convite se estendeu para Javier Milei, presidente da Argentina; o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer; o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan; o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi; e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
Questionamentos
Em entrevista ao Conexão BdF no ano passado, o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, afirmou que o acordo anunciado entre Israel e o Hamas, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não é um plano de paz, mas uma trégua que mantém a ocupação e ignora a reconstrução da Faixa de Gaza.
“O texto de Trump não fala da Cisjordânia, do Estado palestino, nem das riquezas naturais de Gaza, que somam quase US$ 1 trilhão em reservas de gás”, criticou. “É uma trégua que não resolve as causas reais da tragédia palestina”, ressaltou.
Já o pesquisador de relações internacionais Arturo Hartmann Pacheco avalia que a proposta “interrompe o genocídio” em curso, mas não representa uma paz real e tende a transformar Gaza em um território administrado por interesses estrangeiros e corporativos.
“Paz talvez seja uma palavra muito ampla. Temos um processo de interromper o genocídio, que funcionou como uma moeda de barganha para eliminar os grupos internos, principalmente o Hamas”, destacou Pacheco em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoem outubro de 2025.
Segundo ele, a iniciativa de Trump está centrada em objetivos imediatos e não enfrenta as “estruturas de violência na Palestina, inclusive a colonial israelense”.

