‘Somos explorados pelos mesmos imperialistas’, diz ativista de Burkina Faso sobre América Latina e África

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Integrante da organização Comitê Internacional Memorial Thomas Sankara, Ouedraogo Sampa Wendé prestou solidariedade ao povo venezuelano durante encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ocorre nesta semana em Salvador (BA).

Segundo Wendé, no último dia 17 de janeiro, o povo de Burkina Faso se mobilizou para dizer não ao que ele considera um “banditismo internacional que os Estados Unidos estão perpetrando na América Latina, especialmente na Venezuela.”

O ativista relacionou a exploração sofrida, tanto por países da América Latina, quanto por países do continente africano, como os três da Aliança dos Estados do Sahel — Níger, Burkina Faso e Mali — coordenada por países imperialistas como os Estados Unidos (EUA).

“Somos movidos pelas mesmas ambições, pela mesma determinação, pelo mesmo compromisso, e somos, tanto na América Latina quanto na África, explorados pelos mesmos imperialistas”, relatou ao Brasil de Fato.

Recentemente, Burkina Faso passou por uma tentativa de golpe. No início do mês de janeiro, o ministro da Segurança de Burkina Faso, Mahamadou Sana, detalhou como se deu o recente desmantelamento, pelos serviços de inteligência e defesa, de um plano que pretendia matar o presidente Ibrahim Traoré e eliminar altos funcionários do governo, para desestabilizar e provocar uma intervenção militar externa no país do Sahel.

Em um pronunciamento televisionado, Sana confirmou que uma tentativa de golpe orquestrada por militares e civis, seria financiada do exterior, mais especificamente pela Costa do Marfim, de onde foi realizada uma transação recente de 70 milhões de francos marfinenses (aproximadamente US$ 125 mil). A tentativa foi frustrada no dia 3 de janeiro.

Burkina Faso tem avançado de forma consistente em um processo de integração regional ao lado de Mali e Níger por meio da criação da Aliança dos Estados do Sahel. Esta iniciativa possui um forte caráter anticolonial e busca reforçar a soberania das nações envolvidas sob os ideais do pan-africanismo, enfrentando a resistência de antigas potências coloniais que historicamente exploraram o continente africano.

O bloco propõe medidas práticas de unificação, como o estabelecimento de um banco de desenvolvimento próprio e a emissão de um passaporte unificado para os cidadãos dos três países.

Além das frentes econômica e administrativa, o projeto de integração abrange áreas estratégicas como a comunicação e a infraestrutura, prevendo a criação de uma estação de rádio e televisão dedicada ao Sahel, a melhoria das conexões aéreas e ferroviárias e o estímulo direto ao comércio e ao investimento regional.

No campo da segurança, a aliança planeja a formação de uma força militar conjunta composta por 5 mil soldados com o objetivo específico de combater grupos terroristas armados que atuam na região.

Este pacto de defesa é reforçado pelo compromisso de apoio militar mútuo em situações onde a soberania de qualquer um dos membros seja ameaçada por atores externos.

Diante desse cenário, Wendé alegou que a África vive um contexto bastante difícil marcado por ataques terroristas, que são também uma manifestação do imperialismo através de seus agentes. “Atualmente, a África está praticamente sob o domínio do imperialismo francês e do imperialismo americano.”

O encontro do MST, portanto, possibilita a discussão com outras organizações o que, segundo ele, permitirá criar laços e construir uma solidariedade militante, política e internacional entre os povos da América Latina e da África.

“Portanto, precisamos de uma solidariedade que permita aos povos ter as ferramentas necessárias para contrapor o imperialismo e permitir que nossos Estados vivam em soberania e independência total, iniciando um desenvolvimento compartilhado com os povos. Sim, o imperialismo age da mesma maneira em quase todos os Estados.”

Por fim, o militante do Comitê Internacional Memorial Thomas Sankara conclamou os povos da América Latina e da África a condenar a agressão de Trump contra a soberania dos países. “Condenamos sem reservas esta agressão e convidamos todos os povos em luta a se mobilizarem para apoiar o presidente Maduro e dar força à luta das massas populares que aspiram apenas viver com dignidade, honestidade, independência e soberania total.”

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