Debaixo de chuva e puxados por um caminhão de som que, em uma salsa adaptada, pedia “liberdade para Maduro” milhares de venezuelanos marcharam em Caracas, nesta sexta-feira (23).
O dia 23 de janeiro marca uma data histórica na Venezuela. Todos os anos, manifestações e atos políticos são realizados para recordar a derrubada de Marcos Pérez Jiménez. Neste ano, o país celebrou o 68º aniversário do fim do regime, que governou o país entre 1952 e 1958 sob uma ditadura militar.
Com a queda de Pérez Jiménez, os partidos Ação Democrática, Copei e União Republicana Democrática firmaram o Pacto de Punto Fijo, que estabeleceu mecanismos de alternância no poder e excluiu setores de esquerda do processo político. O acordo moldou a dinâmica institucional venezuelana nas décadas seguintes, até a chegada de Chávez ao poder, em 1999.
Neste ano, contudo, o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores conferiu ao ato um caráter de denúncia e mobilização pela liberação do casal presidencial.
A professora aposentada Zaida Rangel afirma que a celebração do 23 de janeiro se transformou desde a chegada de Hugo Chávez ao poder. “Desde que Chávez chega ao poder, o 23 de janeiro muda. Começamos a sair às ruas em defesa da democracia. Hoje, esta marcha é ainda mais importante”, disse.
Questionada sobre o que a fez sair de casa, ela citou sentimentos de indignação diante do sequestro do presidente. “A indignação e a raiva me movem nesse momento. Quero que a democracia seja mantida. Trump violou todas as leis internacionais com o ataque contra a Venezuela”, afirmou.
A manifestante Amanda Medina viajou dez horas de carro para participar da marcha. “Estamos pedindo a liberação de Nicolás. Sequestraram nosso presidente, que governou com o povo”, disse.
A advogada Iriada Bolívar relatou estar emocionada com o ato. “Quando a gente chega na marcha e vê tanta gente, de diferentes classes sociais, sinto que estou no lado certo da história. Isso nos fortalece”, afirmou.
Desde o dia 3 de janeiro, Caracas tem registrado mobilizações em defesa da liberação de Nicolás Maduro. A manifestação desta sexta-feira foi uma das maiores desde o início das jornadas, segundo participantes que estiveram em outros atos.
Ao final do percurso, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, discursou aos apoiadores.
“O mundo inteiro sabe que o que aconteceu com o presidente Nicolás Maduro e com a companheira Cilia Flores, é um sequestro. Foram sequestrados da Venezuela e levados aos Estados Unidos. Exigimos a libertação. Nosso povo está na rua exigindo a libertação do presidente todos os dias”, declarou.

