A professora e historiadora Adelaide Gonçalves tem uma missão: arrecadar fundos para comprar uma casa em Fortaleza (CE), onde pretende organizar os mais de 20 mil livros que compõem o acervo do Plebeu Gabinete de Leitura. São clássicos da literatura, obras raras e de diversas vertentes do conhecimento, como história, artes, fotografia e antropologia.
“Para te dar uma ideia: qual foi a coleção que mais cresceu nos últimos cinco anos no Plebeu Gabinete de Leitura? A coleção do Manifesto Comunista”, orgulha-se Gonçalves, que é guardiã de mais de 400 exemplares do clássico de Karl Marx e Friedrich Engels. As edições são de diversos anos e em variados idiomas.
A história começa há mais de uma década, na casa da professora, “residência que sempre teve ampla circulação de estudantes, sindicalistas, camponeses, professores, trabalhadores e trabalhadoras interessados em estudar sobre os mais diversos temas abrigados nas incontáveis páginas que formavam a biblioteca da docente”, conta Amanda Sampaio, integrante do Coletivo Plebeu, em texto publicado, originalmente, no site da Seção Sindical dos(as) Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC-S.Sind).
Dali, ganhou um novo espaço e, por 13 anos, habitou o prédio da Associação Cearense de Imprensa (ACI), no Centro de Fortaleza.

Agora, tudo está encaixotado, à espera de um novo lugar para circular e retornar às mãos das leitoras e leitores. Para isso, Gonçalves e os demais integrantes do Coletivo Plebeu – grupo responsável pelo espaço – criaram a campanha “Uma casa para o Plebeu”, com uma vaquinha online, além de outras ações, como contato com a rede de apoio da iniciativa.
“Há um ano e meio, por razões várias, tivemos que deixar esse espaço (no prédio da ACI). E há um ano e meio atrás, portanto, este acervo está encaixotado”, lamenta a professora, que alerta para os riscos de ver suas preciosidades encaixotadas. “O primeiro e muito grave é o risco da deterioração e da perda de materiais de importância, posto que temos edições raras, primeiras edições (…) E o segundo grande sofrimento é esse acervo estar longe das mãos leitoras, do convívio leitor, do convívio da leitura, do estudo e da pesquisa”.
Com a campanha, o coletivo busca garantir um espaço fixo, que funcionará como um centro cultural, com salas de leitura, ateliê da editora, espaços de formação, mostras, debates, cursos, cinema, música e feirinhas da reforma agrária e da soberania alimentar.
Documentos históricos
Além dos livros, o Plebeu Gabinete de Leitura guarda documentos históricos das lutas populares.
“O acervo reúne cópias de documentos recolhidos em importantes arquivos internacionais dedicados, principalmente, à história do movimento operário em escala internacional e à história das lutas sociais”, conta Adelaide Gonçalves.
Nesse trabalho coletivo, o Plebeu Gabinete de Leitura se firmou como um ambiente que oferece amplo material de pesquisa, sobretudo dentro de temas como feminismo, antirracismo, antifascismo e ecologia.
“O acervo também desenvolveu uma recolha bastante expressiva de obras dedicadas à questão agrária no Brasil e não só. Na questão agrária, vai abrindo para várias sendas de estudos e pesquisas: agroecologia, soberania alimentar, luta camponesa, feminismo camponês”, elenca a professora.
Como parte da arrecadação para a compra da casa, o coletivo, por meio do selo editorial, irá lançar, no dia 21 de fevereiro, uma edição do Manifesto Comunista assinada pelo plebeu gabinete de leitura.
“É uma forma, também, da gente dizer o que é esta campanha. Esta casa será um lugar de grande convívio entre livros, mas entre livros que estão interessados na leitura anticapitalista, na leitura sobre a história das revoluções. Esse é o nosso caminho”, diz.
As doações podem ser realizadas através da chave PIX 24.268.949/0001-35 (CNPJ). Para acessar a campanha de arrecadação, clique aqui.

