Com grande aprovação popular, premiê conservadora do Japão dissolve Parlamento e antecipa eleições para 8 de fevereiro

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A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu o Parlamento do país nesta sexta-feira (23) e convocou eleições antecipadas para 8 de fevereiro, numa tentativa de capitalizar os altos índices de aprovação desde que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo no país, há três meses. A premiê deseja ratificar o respaldo público para aumentar os gastos militares e medidas econômicas para combater a alta no custo de vida.

Takaichi, uma conservadora envolvida numa crescente disputa com a China sobre Taiwan, espera resultados favoráveis nas eleições para fortalecer sua hoje escassa maioria parlamentar. Sua coalizão governista é formada pelo seu partido, o Liberal Democrático (PLD) – que enfrenta baixos índices de aprovação após uma série de escândalos – e o Partido da Inovação do Japão (PIJ).

“Estou colocando meu futuro como primeira-ministra em risco. Quero que o povo decida diretamente se pode confiar a gestão do país a mim”, disse Takaichi, que rotulou de “muito difícil” a decisão de antecipar o pleito, que estava previsto para outubro de 2028.

Armas e tensão com a China

Em 26 de dezembro, o gabinete de Takaichi aprovou uma proposta recorde de orçamento de defesa de mais de 9 trilhões de ienes (R$ 306 bilhões) para o próximo ano fiscal, refletindo um esforço para fortalecer as defesas militares e costeiras em meio às crescentes tensões no Leste Asiático.

O plano ainda precisa da aprovação do parlamento até março e faz parte de um orçamento nacional mais amplo de 122,3 trilhões de ienes (R$ 4,1 trilhões) para o ano fiscal que começa em abril de 2026. O aumento marca o quarto ano do esforço quinquenal do Japão para elevar os gastos com defesa para 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O aumento nos gastos ocorre em um momento em que Tóquio expressa crescente preocupação com a China. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou, em novembro, que as forças armadas japonesas poderiam se envolver caso a China tomasse medidas contra Taiwan. Os comentários causaram indignação em Pequim, que retaliou com medidas diplomáticas e econômicas contra o Japão.

De acordo com o plano quinquenal de fortalecimento da defesa, o Japão deverá se tornar o terceiro maior investidor em defesa do mundo, depois dos Estados Unidos e da China. O governo de Takaichi tem sofrido pressão dos EUA para atingir essa meta dois anos antes do previsto. O Japão também pretende revisar suas políticas de segurança e defesa até dezembro de 2026 para aprimorar ainda mais seu poderio militar.

Nos últimos anos, o Japão tem se empenhado em fortalecer sua capacidade de atingir alvos a longa distância, uma mudança significativa em relação à sua abordagem pós-Segunda Guerra Mundial, que limitava o uso da força estritamente à autodefesa.

Inflação

Nesta sexta-feira, dados oficiais mostraram que a inflação do país desacelerou ligeiramente em dezembro, em parte graças aos subsídios do governo para eletricidade e gás. O aumento foi de 2,4% em relação ao ano anterior, menor que os 3% de novembro, mas ainda assim acima da meta de 2% do banco central.

O descontentamento público com a alta dos preços contribuiu significativamente para a queda do ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba, sucedido por Takaichi em outubro.

“Não está claro se o elevado apoio público ao gabinete de Takaichi se traduzirá de fato em apoio ao PLD”, disse Hidehiro Yamamoto, professor de ciências políticas da Universidade de Tsukuba, à AFP.

“O que preocupa a população são as medidas para combater a inflação”, afirmou.

Embora o Japão sofra há muito tempo com a deflação, recentemente enfrentou um aumento no custo de vida e uma fragilidade crônica de sua moeda, o iene, o que encareceu as importações. O arroz, um produto essencial para as famílias japonesas, tornou-se um símbolo: seu preço mais que dobrou em meados de 2025 em comparação com o ano anterior, antes de se moderar nos últimos meses.

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