Pelo menos 30 pessoas morreram nos Estados Unidos após tempestades de neve que atingiram boa parte do território do país entre o sábado (24) e a segunda-feira (26). O fenômeno causou apagões, cancelamento de atividades laborais e de aulas, e um verdadeiro colapso no transporte aéreo, afetando, inclusive, voos que decolariam ou pousariam no Brasil.
A meteorologista Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo Ok Meteorologia, explica que episódios como esse são a evidência da crise climática. Ao mesmo tempo que os EUA congelam durante o inverno do hemisfério Norte, a Austrália queima durante o verão, com temperaturas que chegam perto dos 50°C.
“Os eventos extremos estão cada vez mais frequentes. Algo que acontecia pouquíssimas vezes, com intervalos de tempo muito grandes, agora estão com tempos de retorno diminuídos”, relatou Sassaki, em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatonesta terça-feira (27). “Um evento que levava 50, 60, 100 anos para acontecer, agora acontece a cada 10, 20, 30 anos. O tempo de retorno desses eventos extremos está ficando menor”, prosseguiu.
No caso dos EUA, até mesmo estados do Sul do país, como a Flórida, onde os invernos são menos rigorosos que no Norte, sofrem com as tempestades de neve. A recorrência de eventos meteorológicos extremos é o que permite inferir que há relação com as mudanças climáticas.
“Esses eventos isolados não representam o todo. A gente não pode simplesmente pegar esse evento meteorológico e dizer que ele representa a mudança climática. Precisa avaliar uma série de anos e eventos extremos e entender o comportamento desses eventos com outros fenômenos atmosféricos e outras variáveis para entender como um componente afeta o outro”, explicou a meteorologista.
A especialista reforça a necessidade de mudanças estruturais para reverter o processo. Além dos episódios de frio e de calor intenso, há outros fenômenos, como inundações, que atingem diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Não é possível reverter o processo do dia para a noite, mas é preciso agir visando mudanças futuras, pois as consequências continuarão a ser sentidas.
“Pelo que a gente tem observado, com os dados dos últimos anos, é possível dizer, sim, que a gente tem a possibilidade de eventos extremos acontecerem com mais frequência”, lamentou.
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