Após duas mortes em um mês, EUA vivem revolta popular contra políticas migratórias de Trump

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A morte do segundo cidadão do país pelas mãos dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), a polícia migratória de Donald Trump, está motivando uma verdadeira revolta popular. Protestos tomam as ruas de Minneapolis e de outras cidades dos Estados Unidos e a tendência é que essa indignação aumente, caso a política violenta do republicano continue a escalar. Essa é a avaliação da professora de Relações Internacionais Jana Silverman.

De origem estadunidense, Silverman atua no Brasil e, atualmente, leciona na Universidade Federal do ABC (UFABC). Em entrevista nesta terça-feira (27) ao jornal Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoela ressaltou a força dos protestos, cada vez mais frequentes e numerosos.

“O que estamos vendo é uma revolta popular, pelo menos embrionária, contra as medidas anti-imigratórias. É muito importante reconhecer: não existe lugar dos Estados Unidos que não tenha presença de migrantes. Eles são a turbina da economia dos EUA”, afirmou.

Além de ocupar postos de trabalho rejeitados pela maior parte dos cidadãos dos EUA, como a construção civil, há, ainda, grande influência cultural no dia a dia dos Estados Unidos. Mesmo em cidades pequenas do país, há grande presença de imigrantes. Ou seja, eles estão inseridos na sociedade local, o que faz com que cidadãos estadunidenses se juntem aos protestos.

“Estamos em um momento de inflexão. Vimos em Minneapolis milhares de pessoas protestando sob temperaturas de 15 a 20 graus abaixo de zero. Também vimos uma série de protestos em quase 100 outras cidades”, lembrou a especialista.

Diante do aumento da truculência do ICE e da pressão das ruas, não está descartado, por exemplo, um novo desligarou seja, a paralisação dos serviços públicos. Para retomar as atividades, caso isso aconteça, o trumpismo precisaria negociar com a oposição.

Parlamentares do partido Democrata (rival do Republicano, de Trump) pressionam por mudanças nas ações do ICE, o que incluiria proibições de entrada em locais privados, como escolas e igrejas. Além disso, eles teriam de mostrar ordens de capturas específicas para deter migrantes por supostos crimes.

Segundo Jana Silverman, já são visíveis mudanças de discurso que podem refletir em alterações na estrutura do sistema de perseguição sistemática aos imigrantes. “Vendo a queda de popularidade da política anti-imigratória e a queda de popularidade do próprio Trump, ele está fazendo uma guinada”, afirmou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube faz Brasil de Fato.

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