O Irã não vai negociar sob ameaças e está disposto a jogar “novas cartas no campo de batalha” caso a guerra seja retomada, advertiu o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, antes do fim do cessar-fogo na noite desta quarta-feira (22).
“Não aceitamos negociações sob a sombra de ameaças e, nas últimas duas semanas, estivemos nos preparando para mostrar novas cartas no campo de batalha”, escreveu na rede social X. A televisão estatal iraniana afirmou nesta terça-feira que nenhuma delegação do país viajou ao Paquistão para a segunda rodada de negociações com os Estados Unidos.
“Até o momento, nenhuma delegação do Irã viajou para Islamabad, no Paquistão, seja a delegação principal ou a secundária”, informou.
Mas a AFP disse que uma delegação estadunidense liderada pelo vice-presidente JD Vance partirá “em breve” para o Paquistão para nova rodada de negociações de paz. Essa informação surge pouco depois de Trump afirmar ao jornal Correio de Nova York que os negociadores dos EUA já estavam a caminho.
O presidente magnata afirmou também que não suspenderá o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos do Irã enquanto não houver um acordo de paz com Teerã.
“O BLOQUEIO, que não levantaremos até que haja um ‘ACORDO’, está destruindo completamente o Irã. Eles estão perdendo 500 milhões de dólares por dia, uma cifra insustentável, mesmo no curto prazo”, escreveu em sua plataforma Truth Social.
Mas segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence, “pelo menos 26 navios da frota fantasma iraniana burlaram o bloqueio americano” desde a sua implementação há uma semana.
Na segunda-feira, Trump disse que obter o urânio do Irã seria um processo “longo e difícil” após os ataques dos EUA do ano passado contra os locais nucleares de Teerã. Acredita-se que Teerã tenha cerca de 400 kg de urânio enriquecido, ingrediente principal para a fabricação de armas nucleares.
Israel e Líbano
Em relação aos outros participantes no conflito, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o país vai desarmar o grupo libanês pró-Irã Hezbollah por meios “militares e diplomáticos”. Os ataques israelenses no Líbano mataram ao menos 2.387 pessoas desde que, em 2 de março, começou essa frente da guerra contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, informou o governo libanês.
Os membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram na segunda-feira o ataque que matou um soldado francês e feriu três no Líbano. A França e a ONU atribuem a emboscada ao Hezbollah.
Os Estados Unidos sediarão na quinta-feira novas negociações entre Israel e Líbano com vistas a um acordo de paz, disse à AFP um funcionário do Departamento de Estado sob condição de anonimato.
“Continuaremos facilitando discussões diretas e de boa-fé entre ambos os governos”, afirmou.
Gaza
Na terça, Israel atacou um grupo de policiais palestinos perto da cidade de Khan Younis, na Faixa de Gaza. O ministro da Defesa de Israel deixou claro que Israel continuará perseguindo as forças remanescentes do Hamas, a menos que o grupo deponha as armas.
O Hamas, por sua vez, acusou Israel de descumprir suas obrigações sob o acordo de cessar-fogo e pediu a intervenção de mediadores. O correspondente da Al Jazeera no enclave palestino Tareq Abu Azzoum disse que “é difícil vislumbrar um caminho concreto para a estabilidade em Gaza”.
“Os ataques contínuos de Israel não estão apenas causando destruição e vítimas, mas também reacendendo o medo em comunidades que mal tiveram tempo de se recuperar.”

