“A revitalização não pode expulsar a população local”, defendem moradores do entorno do Sambódromo do Rio

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O entorno do Sambódromo do Rio de Janeiro será modificado. Ao menos este é o propósito do projeto Praça Onze Maravilha, da Prefeitura do Rio de Janeiro, que promete, por meio de uma parceria público-privada, construir 40 mil unidades habitacionais, demolir o Viaduto 31 de Março e construir uma biblioteca pública, entre as principais ações divulgadas. O investimento anunciado é de R$ 1,75 bilhão, e o modelo de inspiração é o Porto Maravilha, também no centro do Rio. É precisamente aí que está uma das grandes preocupações de parlamentares e moradores: a possibilidade de expulsão da comunidade ou de não contemplação da população local, como foi denunciado durante o projeto que serve de inspiração.

Patrícia da Silva, de 39 anos, vive desde que nasceu no Complexo de São Carlos, conjunto de favelas vizinho ao Sambódromo. Segundo ela, a casa onde mora com a família deveria ter passado, há dois anos, por uma nova avaliação da Defesa Civil para saber se está com a estrutura comprometida devido à existência de nascentes subterrâneas que passam por baixo de sua residência. “Deve-se atender famílias de baixa renda que já residem no entorno, em áreas de risco ou ocupações precárias, garantindo que a revitalização não resulte na expulsão da população local, como foi no passado”, reivindica Silva, que integra o Coletivo São Carlos Ativo.

A vereadora Maíra do MST (PT) é uma das parlamentares que está acompanhando de perto o debate. Ela destaca que o projeto Praça Onze Maravilha não prevê a construção de habitações populares. “Temos que lutar para que as pessoas não saiam deste território. Embora o projeto não fale de remoções, a gente sabe que a especulação imobiliária tem sua forma de remoção branda, que vai tirando as pessoas aos poucos, encarecendo o custo de vida, aumentando os aluguéis. Não é isso que a gente quer que aconteça”, defendeu a parlamentar.

É a mesma preocupação de Marina Freitas, da organização Galpão Praça XI, que trabalha com arte, cultura e cidadania com os moradores locais. “Eles falam que não haverá remoção, mas é uma região em que boa parte da população não tem saneamento básico; alguns não têm luz. Nosso questionamento é se essa revitalização vai ser para a população também”, questiona.

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Falta de informação

Morador da Cidade Nova há 35 anos, outro bairro no entorno do Sambódromo, o autônomo Francisco Pereira relata que escutou na vizinhança que a revitalização poderia incluir a reforma da fachada de sua casa. Com sete cômodos, a residência foi dividida em três para contemplar os outros dois filhos. Ele conta que a última vez que recebeu uma visita de um funcionário da prefeitura foi há quatro anos e que, portanto, não sabe muito do que se trata o projeto, embora esteja na área que será impactada.

Na próxima quarta-feira (6), a Câmara de Vereadores realizará, pela primeira vez, uma audiência pública no território. Será às 19h, no Circo Crescer e Viver, no bairro da Cidade Nova. Francisco promete ir à atividade para pontuar um dos grandes receios dos moradores da região: “Com certeza, nosso bairro vai ficar mais caro, e isso é uma preocupação que temos. Se ficar mais caro morar por aqui, nós, que somos mais pobres, teremos que sair”.

Procuramos a Prefeitura do Rio de Janeiro para comentar os questionamentos, mas, até o fechamento desta matéria, não recebemos resposta.

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