O memorando de entendimento assinado pelo Irã e Estados Unidos não garante que um acordo para o fim definitivo da guerra irá acontecer, mas sinaliza um caminho para uma negociação de paz. Na análise do professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, o documento pode ainda indicar o primeiro afastamento entre Estados Unidos e Israel em décadas de relações.
“É uma etapa preliminar para a assinatura de um acordo. É uma carta de intenções de qualquer modo, por se tratar de dois países que têm sido inimigos nas últimas cinco décadas. E até agora, os termos do memorando sinalizam uma vitória definitiva do Irã nessa guerra. O Irã não cedeu em absolutamente nenhum ponto que considerava prioritário, e os Estados Unidos tiveram que ceder em tudo que o governo persa pediu”, ressalta em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
“Por essa razão, acredito que há um longo caminho a ser percorrido até que esse acordo seja implementado. E o grande perdedor dessa guerra é o Estado de Israel, cujo objetivo era a destruição das capacidades militares e nucleares iranianas”, analisa o professor.
Leães observa que um dos principais pontos para que o governo persa aceite um acordo definitivo é a interrupção do avanço israelense no Líbano, sob a justificativa de combater o Hezbollah. “Se isso acontecer, será um sinal de que os EUA conseguiram frear a influência de Israel na política externa estadunidense. Há muito tempo nós sabemos que o lobby sionista em Washington é muito poderoso. Mas esse arranjo está cada vez mais desequilibrado, porque a população dos EUA desaprova essa influência. Cerca de dois terços da população aprova o memorando de entendimento”, relata. “Talvez um divórcio entre EUA e Israel esteja em andamento.”
Para ele, as movimentações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, na direção de se aproximar do Irã fazem mais sentido no contexto global. “Ele tem pressionado, ou ainda incentivado Donald Trump de que é possível seguir um caminho alternativo, fazer uma paz e até buscar aproximação com o Irã, talvez até tentar afastar o Irã da China por meios econômicos. Embora isso, nessa altura do campeonato, seja difícil, me parece fazer mais sentido do que a alternativa militar, colocada anteriormente”, afirma, ao destacar os gastos exorbitantes que o governo estadunidense dispendeu para atacar o país persa.
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