A Agrishow encerrou a edição deste ano com uma movimentação estimada em R$ 11,4 bilhões, valor que representa uma queda de 22% em intenções de negócios em relação à 2025. De acordo com o balanço divulgado pela organização, o resultado reflete o desempenho mais retraído dos segmentos de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem devido ao crédito mais caro e custos maiores no campo.
Para serem fechadas, as vendas precisam de aprovações cadastrais, bancárias, garantias e tratativas que costumam levar alguns dias. Durante a semana, vendedores avaliaram que a 31ª edição da feira se mostrou mais fraca em número de compradores. Um deles contou à reportagem que atende 38 revendas de máquinas, mas que, este ano, apenas 4 apareceram no evento e até o penúltimo dia não haviam efetivado nenhuma compra.
Apesar da retração nos negócios, o público se manteve estável. Ao longo dos cinco dias, o evento recebeu 197 mil visitantes, número semelhante ao da edição passada e levemente abaixo à expectativa inicial da feira, que era de 200 mil visitantes.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o desempenho da Agrishow acompanha a desaceleração do setor. Dados apresentados durante a feira mostram que as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno caíram 19,9% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
De acordo com Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, o cenário é resultado de uma combinação de fatores. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, afirmou.
Mesmo diante do ambiente mais desafiador, a avaliação dos organizadores é de continuidade dos investimentos, como antecipou o presidente da feira, João Marchesan, ao CNN Agro. “Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil”, disse.
Marchesan destacou ainda a natureza cíclica do setor e a expectativa de recuperação nos próximos anos. “Sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção de que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, acrescentou.

