Aliança europeia com os EUA pode estar perto de ‘fratura’, aponta analista internacional

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Se enganou quem pensou que Donald Trump ia conter seu ímpeto imperialista após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O primeiro mês do ano ainda nem acabou e ele, agora, volta suas ambições para a compra ou a tomada da Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, um país europeu e antigo aliado dos EUA, sendo, inclusive, membro da Otan, a aliança militar do Norte global. Para a analista de política internacional Ana Prestes, a postura de Trump pode levar a uma fratura nessa relação.

Na noite de domingo (18), o presidente dos EUA se manifestou sem meias-palavras: em postagem nas redes sociais, disse que “chegou a hora” de afastar o que chamou de “ameaça russa” ao território da Groenlândia, e garantiu que “agora isso será feito”. A analista lembra que os europeus focaram por muito tempo na tal “ameaça russa”, e agora percebem que a real ameaça pode vir de seu maior aliado, os Estados Unidos.

“É um momento histórico. A gente, os analistas internacionais, já vinhamos interpretando que havia fissuras, depois fissuras um pouco maiores. O que a gente está vendo agora pode ser uma fratura. Isso tudo evoluindo para uma fratura importante na Aliança Atlântica, resumiu Ana Prestes durante entrevista ao Conexão BdFjornal da Rádio Brasil de Fato.

Na avaliação da analista, Trump ultrapassa várias “linhas vermelhas” de uma só vez. Os europeus ensaiam respostas, mas a imprevisibilidade do presidente dos EUA dificulta as ações. Neste momento, o foco está na economia. Um acordo comercial que estava em vias de entrar em vigor pode ser congelado. Outras medidas devem ser colocadas em prática.

“Existe um instrumento dentro da União Europeia chamado Instrumento Anti-Coerção. Foi formulado para proteger o bloco de pressões econômicas externas, inclusive de aliados, o que é o caso. Eles vão usar esse instrumento. Vão partir para tarifas retaliatórias. Produtos ou empresas dos Estados Unidos que estão presentes no mercado europeu podem receber tratamento com tarifas, restrições”, listou a analista.

Ainda não está claro, porém, até onde irá Donald Trump. A União Europeia e os dirigentes de seus países-membros se esforçam para tentar entender enquanto planejam os próximos movimentos.

“Pro Trump, o céu é o limite. Talvez nem o céu seja o limite. O que a gente lê, o que a gente apreende, o que a gente tem interpretado, é que os europeus hoje consideram que pode acontecer qualquer coisa. Nós sul-americanos somos testemunhas, ele acabou de sequestrar, arrancar da cama um casal presidencial de uma nação soberana, que é a Venezuela. Trump não tem limites”, resumiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube faz Brasil de Fato.

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