Amigos e fãs de Zoravia Bettiol organizam vaquinha em momento crítico de sua saúde

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Zoravia Bettiol tem cadeira cativa entre as maiores celebridades das Artes Plásticas gaúchas. Está ao lado de artistas como Iberê Camargo, Pedro Weingärtner, João Fahrion, Vitório Gheno, Vera Chaves Barcellos, Lenora Rosenfield e tantos outros que marcaram e marcam a história da Cultura. Zoravia foi e é artista ‘fora da curva’, indiscutível, mas nem tudo vai bem com sua saúde aos 90 anos, completados em dezembro do ano passado.

Em março, ela sofreu uma queda em casa e fraturou o fêmur. Foi operada pelo médico Carlos Roberto Schwartsmann, no Hospital Santa Clara. Está sofrendo, com dores e, mesmo que que a cirurgia tenha dado certo, passou a necessitar de cuidadoras e de fisioterapia (três sessões semanais), o que elevou consideravelmente os seus custos.

A vida nestas condições sobe nas alturas. As exigências financeiras aumentam a cada passo. Por causa dessa nova realidade, Zoravia está precisando da solidariedade do seu amplo círculo de amigos e apreciadores de sua arte e da sua obra. Ou, quem sabe, do apoio do próprio governo. Afinal, ela é um patrimônio do Rio Grande do Sul.

Por isso, já está no ar uma ‘vaquinha’ de solidariedade para que ela desfrute de uma vida digna depois de 65 anos de uma carreira exitosa no Brasil e exterior. Todo o recurso arrecadado será usado para custear a sua recuperação. Mesmo assim, nesta fase de recuperação, prepara uma exposição de obras de sua coleção de artistas brasileiros e estrangeiros e que deverá ocorrer tão logo ela esteja recuperada.

Artista plástica, designer e arte-educadora, Zoravia Augusta Bettiol nasceu em Porto Alegre em 17 de dezembro de 1935. O seu histórico é definido por especialistas, críticos e historiadores da área como ‘fantástico’. Ao longo de sua trajetória, participou de 156 exposições individuais e mais de 350 coletivas, em Bienais, Trienais e exposições importantes internacionais na América do Sul, Europa, EUA e Japão.

Uma carreira de sucesso e exposições pelo mundo

A mais significativa exposição foi a retrospectiva “Zoravia Bettiol – O Lírico e o Onírico” no Museu de Arte do Rio Grande do Sul em 2016. Suas obras estão em acervos dos principais museus e centros culturais do mundo como o Museu Metropolitano, de Nova Iorque; o Museu Norueguês de Artes Decorativas e Design, de Oslo, Gabinete de Impressões da Biblioteca Nacional de Paris e o Museu de Arte Moderna, de Kyoto, Japão. Ela produziu gravuras, pinturas, desenhos, artes têxteis, artes murais e instalações.

Nascida em família de ascendência sueca e italiana, entre 1952 e 1955 fez estudos de pintura no Instituto de Belas Artes, em Porto Alegre. Entre 1956 e 1957, estudou desenho e xilogravura no atelier de Vasco Prado (com quem foi casada durante 28 anos) e, em 1968, tapeçaria no atelier de Maria Laskiewicz, em Varsóvia, na Polônia.

Em 2007 foi lançado o livro em edição bilíngue (português e inglês) “Zoravia Bettiol: a mais simples complexidade”, com textos de seis especialistas – Maria Amélia Bulhões, pesquisadora (desenho e pintura); Paulo Gomes, curador (gravura); Albani de Carvalho, historiadora e crítica de arte (arte têxtil); Fernando Cocchiarale, crítico de arte e curador do Museu de Arte Moderno do Rio (instalação, mural e performance); Ulpiano Bezerra de Menezes, historiador e arqueólogo, professor titular da USP (objeto); Paula Ramos, jornalista e crítica de arte – todos abordando a trajetória da artista. Ela também é conhecida pelo ativismo a causas sociais e ambientais.

Entre tantas obras, que entraram para história das artes, a exposição mais recente na sua galeria (rua Paradiso Biacchi, 109, bairro Ipanema, Porto Alegre) foi sobre as enchentes de 2024. Ela mostrou 28 obras. Os desenhos exibem cenas dramáticas e inusitadas, como famílias em cima do telhado de casa à espera de socorro, o cavalo Caramelo que ficou famoso por enfrentar igual situação, o boi que foi parar no altar de uma igreja, a Casa de Cultura Mario Quintana tomada pelas águas, o aparecimento em área urbana de jacarés, capivaras e garças.

Zoravia usou lápis Caran D’Ache e nanquim no processo de criação das ilustrações. O trabalho durou quatro meses. Para deixar as cores intensas no papel, a artista passa o lápis várias vezes. A repetição do gesto cobrou seu preço: a mão inchou e a mestra precisou recorrer a cuidados médicos, segundo conta o Instituto Zoravia Bettiol.

Na exposição, as obras de Zoravia são acompanhadas de crônicas sobre o mesmo tema de autoria da atriz, poeta e escritora Eleonora Prado, filha da artista visual. Os desenhos e os textos resultaram no livro intitulado “Inventário da Inundação”, com 72 páginas.

Mais informações pelo email (email protected) e para ajudar na campanha: https://www.catarse.me/solidariedade_zoravia

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