Apesar de prorrogação do cessar-fogo, acordo para fim do conflito entre Irã e EUA é difícil

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O Irã deseja o fim da guerra, mas quer seguir com seu programa nuclear de enriquecimento de urânio e a garantia de não ser mais atacado. Por outro lado, as ações recentes dos Estados Unidos não têm colaborado para um caminho de negociação. Nesta terça-feira (21), Trump anunciou o a prorrogação do cessar-fogo, mas manteve o bloqueio naval, cenário que tem gerado incômodo para o governo iraniano.

Para o analista internacional e doutorando em ciência política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Henrique Gomes, cada nova ação de Trump tem colocado o líder estadunidense em mais descrédito. A popularidade dele, que já vinha despencando, tem chegado a níveis alarmantes. Segundo um levantamento da Reuters/Ipsos, a rejeição ao republicano chegou a 62%.

“Dizer que os EUA perderam é um pouco forte demais. Mas o custo para ganhar é altíssimo. No sentido moral, podemos dizer que perdeu, porque os EUA não têm alcançado seus objetivos estratégicos, não conseguiram colocar o Irã de joelhos. O Irã se mostrou forte e resiliente, tem mostrado uma altivez e uma coragem que outros países invadidos pelos EUA não conseguiram demonstrar”, aponta.

Gomes avalia que uma negociação, atualmente, depende dos ânimos de Israel. “Para parar Netanyahu seriam necessárias duas coisas: EUA pedirem para que ele parasse imediatamente (os ataques ao Líbano), mas ao mesmo tempo os EUA usam uma lógica de idolatria a Israel, ou seja, isso não vai acontecer. A segunda opção seria uma escalada ainda maior contra o Irã. É uma situação que parece de mãos atadas”, aponta. “Os EUA estão reféns de Netanyahu e isso é algo nunca antes visto na história.”

O analista também comenta o posicionamento da Espanha, que desde o primeiro momento se posicionou contrariamente às ações de Israel. “A Espanha tem esse posicionamento muito vocal, mas não é o único país. Temos também a Irlanda, que é um país que tem se posicionado pelo povo palestino, mas aí por um motivo diferente, porque o povo irlandês também foi vítima de genocídio em sua história por parte do governo britânico que ocupava o território no passado. Então, existe essa empatia dos irlandeses pelos palestinos. Tanto é que os dois países reconheceram o Estado palestino em 2024 junto com a Noruega, um passo muito emblemático no reconhecimento da Palestina, ainda mais na União Europeia”, explica.

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