Pesquisa Datafolha aponta um crescimento no apoio dos brasileiros ao fim da escala 6×1. Levantamento divulgado na noite de sábado (14) revela que 71% apoiam a redução da jornada. O tema está em debate no Congresso Nacional e tem apoio do governo Lula. Para 27% dos entrevistados, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil não deveria ser reduzido, e 3% não opinaram.
Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Em pesquisa realizada pelo instituto entre 12 e 13 de dezembro de 2024, o apoio à redução da jornada era de 64%, e 33% se posicionaram contra.
O tema tem apoio do governo Lula e deve fazer parte do plano de governo para as eleições presidenciais. O Partido dos Trabalhadores (PT) está preparando um documento com diretrizes que será votado durante o 8º Congresso da legenda, entre os dias 23 e 26 de abril de 2026, em Brasília (DF). Fim da escala 6×1, tarifa zero e soberania nacional estão entre as propostas.
Perfil dos entrevistados
A pesquisa Datafolha mostra ainda que brasileiros economicamente ativos que trabalham seis ou sete dias semanais são menos favoráveis à medida do que quem trabalha até cinco dias. No primeiro caso, o apoio alcança 68%, e 76% entre os que já são beneficiados por uma escala 5×2.
Para o instituto, um dos fatores que podem explicar essa diferença é a maior proporção de autônomos e empresários no grupo de pessoas que dizem fazer uma jornada semanal maior. Para eles, trabalhar mais tempo pode significar renda maior. Entre os que fazem a jornada de 5 dias por semana, há maior participação de funcionários públicos.
Na amostra da pesquisa, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% mais de 8 horas a 12 horas e 5% mais de 12 horas; 1% não soube responder.
Impactos
Para 76%, a redução da jornada será ótima ou boa para a qualidade de vida. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, o percentual chega a 81%. Para os que trabalham seis ou sete dias, o índice é de 77%.
Sobre as consequências para a economia brasileira como um todo, 50% acham que o fim da escala terá um efeito ótimo ou bom. Para 24%, haverá um impacto ruim ou terrível. Quando perguntados sobre os efeitos pessoais da medida, 68% avaliam que a mudança será ótima ou boa para eles.
Idade e gênero
O apoio ao fim da escala 6×1 é maior entre os jovens, com 83% dos entrevistados entre 16 a 24 anos. Entre os entrevistados com idade de 35 a 44 anos, o percentual reduz para 75%. Na faixa de 60 anos ou mais, o apoio fica em 55%. Em todos os casos, a margem de erro é de cinco pontos percentuais.
As mulheres apoiam mais a redução da jornada do que os homens: 77% das entrevistadas se posicionam a favor, enquanto na parcela masculina o percentual é de 64%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

