Após dois anos das enchentes no RS, população vive com medo: ‘É preciso criar alertas mais precisos’

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Neste mês de maio, completam-se dois anos desde que o Rio Grande do Sul viveu a maior tragédia climática de sua história: as enchentes que deixaram 185 mortos, 23 desaparecidos e impactaram a vida de mais de 700 mil pessoas. Um balanço que será divulgado na quinta-feira (7) pelo Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) indica falta de reparação aos atingidos e problemas de infraestrutura que não foram apropriadamente sanados.

Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoMárcia Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que a emergência climática será cada vez mais constante e surgirá em intervalos menores. Ela alerta que muitas das ações que deveriam ter sido feitas, a partir de dados científicos e de previsão, não foram. “Não adianta reconstruir tudo igual era antes, porque sempre que tiver chuva como a que teve vai acontecer tudo de novo ou algo não tão ruim, mas próximo. Então nos preocupa muito, por exemplo, os diques na cidade de Porto Alegre, as vias de Porto Alegre, o esgoto, que ficaram cheios de detritos que não foram retirados e hoje, qualquer chuva que dê, alaga com muito mais facilidade”, relata.

Barbosa manifesta preocupação com relação ao trauma permanente da população, que, segundo ela, até os dias atuais, sente medo diante de episódios de chuva. “A gente não conseguiu resolver isso. As pessoas ainda se sentem em situação de perigo, de risco”, conta.

Por essa razão, a reitora destaca a necessidade de a Defesa Civil “customizar os alertas” de alterações de clima, que, sim, são importantes, mas não podem gerar sentimentos de desespero na população.

Apesar dos pontos negativos, Márcia Barbosa cita alguns avanços no estado. “O aeroporto, que tinha ficado seis meses fechado, teve a pista reconstruída com tecnologia avançada que hoje consegue suportar chuvas fortes. A outra boa notícia é que a gente tem dado cursos para as escolas em que a gente ensina, para os professores e professoras, de como falar sobre emergência ambiental, como a gente tem que educar a população para mudar o comportamento, mas também capacitando os professores para ensinar os jovens como medir chuvas, por exemplo, como se preparar para os riscos. E isso é importante porque esse é um evento que vai continuar acontecendo”, pontua.

Barbosa também relata o sistema de monitoramento de quantidade de chuvas desenvolvido na UFRGS para mensurar com mais precisão a quantidade de chuva que vai cair por região e, dessa forma, gerar alertas para diminuir a ocorrência de paralisação de serviços ou mesmo evacuação de regiões sem real necessidade, gerando pânico na população. Atualmente, o sistema funciona apenas na região da universidade. “A ideia é que a gente amplie esse monitoramento para outras regiões do estado”, diz.

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