Thiago Ávila, brasileiro, e Saif Abukeshek, espanhol-palestino, foram libertados por Israel. O anúncio foi feito pela página das organizações de defesa dos coordenadores da Flotilha Global Sumud na manhã deste domingo (10). Abukeshek está em Atenas, na Grécia, e Ávila está a caminho do Cairo, capital do Egito. Eles estavam presos desde o último dia 30 de abril.
A defesa dos ativistas é realizada pelo Centro Jurídico Adalah, organização apartidária e sem fins lucrativos sediada em Israel para defender palestinos e faz parte da Federação Internacional para Direitos Humanos (FIDH, na sigla em inglês). “O uso de detenção, interrogatório e tortura contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, declararam em comunicado publicado nas redes sociais.
No sábado (9), ainda sem informações sobre o destino de Ávila, uma carta da prisão enviada por meio da diplomacia brasileira, foi postada em sua página oficial. Nela, o ativista diz não temer prisão ou tortura e volta a denunciar o genocídio praticado pelo estado de Israel contra a Palestina.
“A próxima semana é muito importante porque marca décadas de um processo contínuo de genocídio e limpeza étnica contra os palestinos, que se estruturou em um Estado colonial de apartheid e que é liderado não por uma religião, mas por uma ideologia racista e supremacista chamada sionismo. A Nakba nunca terminou!“, escreveu.
No final de abril, uma nova flotilha partiu de águas europeias para tentar, mais uma vez, romper o bloqueio de Israel e levar ajuda humanitária para Gaza. Tripulantes distribuídos em 20 embarcações foram interceptados por Israel em águas internacionais. Enquanto os demais foram deportados, Ávila e Abukeshek foram presos por Israel.
Na mesma semana em que foi detido, Ávila perdeu a mãe, Teresa Regina de Ávila e Silva. Ela tinha 63 anos e travou uma longa batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Em nota, a equipe de Thiago prestou homenagem à sua “alegria memorável” e à coragem com que enfrentou anos de enfermidade, sempre amparada pelo cuidado incondicional da família.

