Área em que está a Venezuela é das mais propícias a terremotos próximos da superfície, explica pesquisadora

Publicada em

A Venezuela foi arrasada depois de dois terremotos que marcaram 7,2 e 7,5 graus na escala Richter, ocorridos na última quarta-feira (24). O número de mortos já chega a quase 2 mil e dezenas de milhares de pessoas seguem desaparecidas.

Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoCarolina Rivadeneyra, pesquisadora do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica tecnicamente o fenômeno, destacando que é comum que aconteça em determinadas regiões, como a que a Venezuela está.

Ela detalha que a Terra está dividida por camadas e a litosfera é uma camada mais superficial, mas ela tem um núcleo bem profundo.

“O núcleo está em 5.200 km de profundidade, aproximadamente, mas a litosfera tem uma espessura de uns 200 km. Essa casca que envolve a Terra está dividida em regiões, como, por exemplo, no Chile, no Peru. Em toda a costa oeste da América do Sul, essas placas estão se juntando. Os terremotos acontecem porque, no momento em que essas placas interagem, elas estão gerando tensões que vão se acumulando e chega uma hora em que a litosfera não consegue mais segurar essas tensões e ela se rompe. E libera energia em forma de terremotos”, explica.

Rivadeneyra reforça que terremotos são eventos naturais e que algumas regiões são mais afetadas que outras. “Na Venezuela tem um movimento que é recorrente, que uma placa está se deslizando sobre outra: a placa da América do Sul e a placa do Caribe”, destaca.

A prevenção desse tipo de fenômeno ainda é bastante difícil por falta de tecnologia capaz de antecipar um abalo sísmico. Terremotos são eventos naturais difíceis de prever e de estimar com precisão a magnitude de cada evento.

“Essas tensões estão se acumulando a 70 quilômetros de profundidade. A gente não tem como medir o quanto a rocha vai aguentar essas tensões. O que a gente tem são probabilidades dos lugares onde podem acontecer terremotos e das magnitudes que eles podem atingir. A gente estuda a sismicidade do passado para entender como a Terra vai continuar agindo no presente e no futuro. No caso da Venezuela, o último sismo forte na região foi há quase 100 anos. Existe um histórico de um longo período sem terremotos fortes, o que indica que as tensões estão se acumulando. Quanto mais tempo passa, maior é a probabilidade de que um novo terremoto aconteça em lugares onde eles já ocorreram antes”, explica Rivadeneyra.

O grau de extensão da catástrofe na Venezuela também se deu porque o abalo sísmico aconteceu a 13 quilômetros de profundidade, ou seja, foi muito próximo da superfície, em termos geológicos.

“Quando ocorre um terremoto, as ondas sísmicas se propagam e, quanto mais profundo é o foco, ou hipocentro, maior é a distância que elas percorrem até a superfície. Nesse trajeto, as ondas perdem energia. Ou seja, quanto mais profundo o sismo, menor tende a ser a energia que chega à superfície. Esses dois sismos foram relativamente superficiais, considerando o contexto dos terremotos. Infelizmente, no contexto tectônico da Venezuela, que são placas transcorrentes, é comum ter esse tipo de profundidade, similar ao que acontece na falha de San Andrés também”, explica a pesquisadora.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Source link