Bolívia se levanta contra neoliberalismo e expõe ‘nova Operação Condor’ na América Latina

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A Bolívia vive dias de tensão. Greves, bloqueios e manifestações de trabalhadores, indígenas, mineiros e movimentos populares tomam as ruas contra o pacote de austeridade do governo neoliberal de Rodrigo Paz. O que começou como protesto contra reformas econômicas já se transformou em uma crise política que ameaça o futuro do país andino. Esse é o tema do episódio de O Estrangeiro desta quarta-feira (20), apresentado por Rodrigo Durão e Lucas Estanislau.

Um dos convidados, o correspondente do BdF na Venezuela, Leonardo Fernandes, destaca a amplitude que o levante popular, que chega à terceira semana, atingiu, não sendo restrito apenas a setores de oposição a Paz e fala da repressão. “De fato, atingiu uma amplitude muito grande, porque se somaram aos professores, trabalhadores da mineração, operários e também camponeses, sobretudo os cocaleiros, que têm uma organização política sindical muito forte na Bolívia. O que a gente tem até agora, quatro vítimas fatais, pelo menos, já registradas nessas últimas semanas de mobilizações, e pelo menos 120 pessoas foram presas pelas forças policiais bolivianas”, relata.

Em meio à escalada, o ex-presidente Evo Morales denuncia que uma “nova Operação Condor” estaria em curso na América Latina, articulada pelos Estados Unidos e apoiada por governos da extrema direita da América Latina, como o de Javier Milei. Quem explica esse cenário é Giovani del Prete, coordenador da Secretaria Continental da Alba Movimentos e da Coordenação Nacional do Movimento Brasil Popular.

“É o Plano Condor do século 21, o Plano Condor 2.0. Tudo isso tem a ver com esse momento em que a gente percebe um declínio dos Estados Unidos, uma desmoralização. É o país mais endividado do mundo, supera seu próprio PIB em dívida. Ele está desesperado, buscando recompor e também extrair recursos, ter acesso barato ao lítio, enfim, vários recursos naturais, tanto para desenvolver a sua indústria, mas também para negar esses recursos para as suas principais rivais. E aqui os Estados Unidos classificam diretamente a China, a Rússia, a Venezuela, principalmente depois de tudo o que aconteceu no 3 de janeiro”, explica.

Del Prete cita toda a movimentação relacionada ao Escudo das Américas, liderada pelo governo Donald Trump. “O Trump convocou essa que foi uma reunião das extremas direitas. Nenhum governo de esquerda ou progressista esteve ali, em uma reunião com a ideia de combate ao narcotráfico pelo mundo, pela América Latina principalmente. O que a gente percebe é, na verdade, a maior cooperação — e esse é um nome bonito na diplomacia — de venda de armas, equipamentos dos Estados Unidos e treinamento para as polícias e os exércitos na região. Isso tem acontecido em cada governo da extrema direita ou da direita mesmo, que está ganhando eleições pelo continente ou que está governando os países. Todos estão aumentando o número de bases militares, de contratos com os Estados Unidos. Então você percebe aparatos de inteligência de militarização coordenada com os Estados Unidos e das direitas na região. E isso foi o que a gente viu no Plano Condor no século passado, que era um esquema de colaboração naquele período das ditaduras na América Latina, todas elas apoiadas pelos Estados Unidos. E esse apoio não significava só um apoio político, mas um apoio de treinamento, com armas, inteligência”, avalia.

Confira o programa completo:

Para ouvir e assistir

Ó podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

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