O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e o líder do Governo Lula na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Reconstrução do RS, ouviram as demandas dos movimentos sociais na reunião do Fórum de Participação Social, na manhã desta sexta-feira (19). O encontro no auditório do prédio da Caixa Econômica Federal, junto à Praça da Alfândega, foi antes do ato de abertura da feira do Governo do Brasil na Rua.
Também marcaram presença no evento os deputados federais Dionilso Marcon (PT-RS) e Maria do Rosário (PT-RS), o deputado estadual Pepe Vargas (PT) e o pré-candidato a vice-governador do estado, Edegar Pretto.
As entidades sociais foram representadas por falas das cozinhas solidárias, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da União Brasileira de Mulheres (UBM), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e, pelos povos originários, a cacica Ângela Nunka Ferreira, da aldeia Tanhve, da região do Cassino, em Rio Grande.
A força da solidariedade organizada

Guilherme Boulos destacou o papel decisivo dos movimentos sociais e da militância popular gaúcha na reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes. “A solidariedade organizada pelas cozinhas comunitárias, entidades e lideranças populares foi fundamental para atender a população atingida”, afirmou.
Boulos também criticou setores da direita gaúcha por não reconhecerem os investimentos do governo federal no estado, afirmando que o presidente Lula destinou mais de R$ 100 bilhões para a recuperação do Rio Grande do Sul.
Segundo ele, a principal diferença entre os campos políticos está na prática e no compromisso com o povo, especialmente nos momentos de maior dificuldade. “Política a gente faz no exemplo. Falar até papagaio fala, mas no momento de botar a mão na massa e ser solidário é que se mostram os valores de cada um”, defendeu.
O ministro também abordou as demandas apresentadas pelos movimentos populares, reconhecendo que os recursos destinados ao Minha Casa Minha Vida Rural e Entidades ainda são insuficientes diante da necessidade existente. Apesar dos avanços obtidos na ampliação das contratações habitacionais, Boulos defendeu que o próximo ciclo do programa alcance 100 mil unidades em cada modalidade.
Ele ainda destacou ações voltadas às mulheres vítimas de violência, como a reserva de moradias no Minha Casa Minha Vida, e comprometeu-se a encaminhar pautas relacionadas à população negra e à violência policial, reforçando que a participação social precisa gerar resultados concretos. Para isso, anunciou que as reivindicações apresentadas pelos movimentos serão sistematizadas e terão devolutiva em até 20 dias.
Governo próximo das demandas populares
Paulo Pimenta ressaltou a importância da presença do ministro Guilherme Boulos no Rio Grande do Sul e das agendas realizadas com trabalhadores de aplicativos, motoboys, catadores e movimentos sociais, destacando a necessidade de manter o governo próximo das demandas da população.
Ao abordar a reconstrução após as enchentes, a maior tragédia climática da história do estado, Pimenta afirmou que o governo do presidente Lula teve uma atuação inédita no atendimento às famílias atingidas. Como exemplo, citou o auxílio emergencial de R$ 5.100 pago diretamente a 430 mil famílias. “Isso nunca existiu antes, gente”, afirmou, destacando também o compromisso de garantir moradia às famílias que perderam suas casas por meio do Minha Casa Minha Vida, além dos investimentos federais que já beneficiaram cerca de 25 mil famílias gaúchas.
O líder do governo na Câmara também enalteceu o papel dos movimentos populares, das cozinhas solidárias e das entidades que atuaram na linha de frente durante a calamidade, defendendo a ampliação do apoio a essas organizações. Para Pimenta, a atuação federal demonstra que “esse é um governo que tem lado”, voltado aos trabalhadores e às populações mais vulneráveis.
Em tom crítico, questionou as prioridades do governo estadual na aplicação dos recursos destinados à reconstrução e defendeu que os valores obtidos com a suspensão da dívida do estado sejam direcionados para habitação, saúde, educação e proteção das comunidades. Ao encerrar, agradeceu o empenho dos movimentos sociais durante a tragédia e reforçou que “ninguém vai conquistar nada se não for através da organização e da luta”.

