Brasil desafia bloqueio de Trump e estuda enviar ajuda a Cuba

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Frente ao acirramento da ofensiva estadunidense contra Cuba, o governo brasileiro estuda seguir o exemplo da presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e enviar um carregamento com ajuda humanitária à ilha do Caribe, focado em medicamentos e alimentos de primeira necessidade.

Procurado pelo Brasil de Fatoo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) informou que a ação está sendo coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores. Em resposta ao nosso contato, o Itamaraty afirmou que o “Brasil desenvolve programa de cooperação com Cuba, inclusive as iniciativas anunciadas durante a visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Havana, por ocasião da Cúpula de Líderes do G77 + China”.

“O Encontro de Alto Nível sobre Políticas Públicas para a Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional (Havana, 24 e 25 de setembro de 2025) identificou oportunidades concretas de cooperação bilateral, trilateral e multilateral, em coordenação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, cujas coordenação e supervisão são executadas por Grupo de Trabalho Bilateral, constituído em 24 de dezembro do mesmo ano”, diz o comunicado.

“Adicionalmente, o Brasil, desde 2023, tem doado a Cuba medicamentos, insumos de saúde e vacinas. Em 2025 e 2026 especificamente, enviou doações de medicamentos para o tratamento de hemofilia e da tuberculose; e de vacinas pneumocócicas, BCG e tríplice acelular (DTP pediátrica), além de ‘kits’ estratégicos de saúde básica, equipamentos purificadores de água e refeições desidratadas para as vítimas do furacão Melissa, que atingiu aquele país caribenho em 29 de outubro passado.”

Finalmente, a nota afirma que o “governo brasileiro está apoiando hoje o governo cubano no manejo de surto de arboviroses, por meio da doação de inseticidas, ‘kits’ de testes rápidos, sachês de sais orais para reidratação e pulverizadores costais motorizados”.

Lula critica ‘massacre’ contra o povo cubano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já criticou publicamente a pressão dos Estados Unidos sobre Cuba. Durante a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) no sábado (7), em Salvador (BA), Lula acusou os EUA de produzirem um “massacre” contra a ilha.

“Nós somos solidários ao povo cubando, que é vítima de um massacre dos Estados Unidos, e temos que encontrar, como partido, um jeito de ajudar”, disse o presidente.

Por outro lado, organizações populares brasileiras se mobilizaram em torno da campanha Petróleo para Cubaque pressiona o governo do Brasil para que, junto à Petrobras, envie combustível para o país caribenho em caráter emergencial. A iniciativa reúne o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Causas Justas, entidades populares, centrais sindicais, partidos políticos e personalidades, com apoio de federações nacionais dos petroleiros.

Escalada preocupa diplomacia brasileira

A escalada contra Cuba ocorre no início do segundo mandato de Donald Trump que, no último dia 29 de janeiro, assinou um decreto autorizando a imposição de tarifas contra países que “vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, ampliando o cerco econômico que já impacta o abastecimento de energia na ilha.

Segundo autoridades brasileiras, a falta de energia elétrica atinge grandes cidades, como a capital Havana, por mais de 11 horas diárias. A falta de combustíveis também afeta o transporte terrestre e aéreo, fazendo com que o governo cubano suspenda os voos de suas companhias. A situação já tem impactado a produção de alimentos no país.

A diplomacia brasileira tem acompanhado de perto a situação a partir da embaixada do Brasil em Havana e teme que a crise possa se agravar. Por outro lado, a ausência de manifestações populares críticas ao governo indicam que não há uma perspectiva de que ela se transforme em uma crise política.

No papel de liderança regional, o governo brasileiro tem sido procurado por países latino-americanos e europeus que desejam contribuir para aliviar o sofrimento dos cubanos diante do cerco estadunidense.

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