O Banco de Brasília (BRB) vive dias decisivos em meio ao escândalo bilionário gerado por transações com o Banco Master. Na próxima semana, a instituição deve entregar à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC) o relatório final de uma auditoria forense independente, segundo informações da coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.
Um balanço preliminar da investigação já havia sido enviado às autoridades no início do ano apontando achados graves. O documento que está em produção agora deve detalhar as responsabilidades na aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas e na tentativa frustrada de compra do próprio Master.
Mesmo antes de ser concluído, o relatório já causa consequências. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), determinou que qualquer funcionário citado no documento seja afastado.
Vale relembrar que a crise envolvendo o Master já havia causado a demissão da cúpula do BRB durante a Operação Compliance Zero, que resultou no afastamento judicial, apreensão de passaportes e bloqueio de bens de executivos, como o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, e o ex-diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior.
Em paralelo às investigações internas, o BRB também precisa encontrar uma solução para o rombo financeiro causado pelas transações com o Master, estimado pelo mercado em mais de R$ 8 bilhões. Um comunicado recente da diretoria do banco informou que o plano do Governo do Distrito Federal (GDF) para recompor seu patrimônio só deverá ser concluído no final de maio.
Entre as opções para salvar a instituição está uma nova emissão de ações na bolsa de valores, com potencial para captar até R$ 8,8 bilhões. No entanto, essa possibilidade ainda precisa ser aprovada por acionistas em uma assembleia marcada para 22 de abril.
As medidas incluem ainda a negociação de um empréstimo de R$ 4 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a venda de ativos e a criação de um fundo imobiliário lastreado em terrenos públicos. Essa última proposta já foi aprovada pela Câmara Legislativa local, mas esbarra em contestações judiciais.
Com a lentidão na injeção de capital, a credibilidade do banco já sofre consequências. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota do BRB, alertando que a demora em um aporte e a falta de um plano sólido colocam a instituição à beira de um calote.
O cenário de incerteza foi agravado pelo fato de o banco estatal ter descumprido o prazo legal, encerrado em 31 de março, para publicar o balanço de 2025. A justificativa oficial para o atraso foi justamente a necessidade de aguardar a finalização da auditoria forense para avaliar o real impacto do rombo nas demonstrações contábeis.

