O Banco de Brasília (BRB) consolidou-se como o principal órgão do desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal (DF), aplicando mais de R$77 bilhões em crédito na região e no Entorno entre 2019 e 2025. No entanto, um levantamento recente da Subseção do Dieese no Sindicato dos Bancários de Brasília aponta uma mudança na saúde financeira da instituição, com o lucro despencando de um pico de R$ 688 milhões em 2021 para R$196 milhões em 2024.
A queda nos resultados financeiros ocorre em um momento em que a importância operacional do banco para o Governo do Distrito Federal (GDF) atinge níveis recordes. Atualmente, o BRB é responsável pelo pagamento de 209,8 mil servidores públicos e operacionaliza 35 programas sociais, que atenderam 393 mil famílias com o crédito de mais de R$ 2,2 bilhões nos últimos seis anos. Entre os destaques estão o programa Prato Cheio, que movimenta R$ 25 milhões mensais no comércio local, e o Cartão Material Escolar, responsável por aplicar R$ 45 milhões anuais nas papelarias da região.
De acordo com o levantamento do Dieese, a força econômica do BRB também se reflete na liderança em setores estratégicos. O banco possui R$ 40,4 bilhões em contratos de crédito imobiliário e é o maior fornecedor de crédito rural no DF desde 2020, com R$ 4,45 bilhões concedidos. Para o GDF, a instituição funciona como uma fonte direta de receita: entre 2019 e 2025, o banco pagou R$ 794,2 milhões em dividendos ao governo e outros R$ 169,7 milhões ao Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev).
Além dos repasses diretos, a circulação de renda gerada pela instituição é alta. Com aproximadamente 6.800 empregos diretos, o BRB aplicou R$7,2 bilhões em salários na economia local, gerando um efeito multiplicador no consumo e na arrecadação tributária.
Críticas à gestão
Apesar dos números altos de investimento, a estratégia de gestão da instituição é alvo de duras críticas por parte dos representantes dos trabalhadores. Para Daniel Oliveira, dirigente do Sindicato dos Bancários, o enfraquecimento do banco representa um risco para toda a sociedade e para o futuro das aposentadorias vinculadas ao Iprev.
Oliveira considera que os lucros exorbitantes registrados em anos anteriores, como os R$688 milhões de 2021, não foram fruto de eficiência, mas sim da venda de patrimônio público. “Os lucros mais exorbitantes foi quando ele vendeu a nossa corretora e outros com venda de ativos, venda dos imóveis. Hoje pouquíssimos imóveis são do BRB onde tem agência. Ele saiu vendendo tudo”, analisou o dirigente.
Ele também classifica a gestão anterior como focada em marketing e fazer muito barulho, negligenciando resultados de longo prazo. “A minha visão é que a gestão passada conseguiu ludibriar a população e o GDF de uma grande eficiência, sendo que não houve de verdade”, completou o sindicalista, ressaltando que bancos comerciais não possuem o compromisso social de um banco público para oferecer juros especiais e fomento à sociedade.
Gestão de fundos
O papel do BRB como banco de desenvolvimento também se manifesta na gestão de fundos públicos. Ao final de 2024, o Fundo para Geração de Emprego e Renda (Funger) contava com 2.591 operações ativas, enquanto o Fundo Distrital de Desenvolvimento Rural (FDR) mantinha um saldo de R$ 16,140 milhões para impulsionar o microempreendedorismo e o setor rural.
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