Representantes de comunidades de terreiro do Distrito Federal foram homenageados nesta terça-feira (23), em sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A iniciativa, proposta pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol), reconheceu pessoas que exercem cargos de sustentação nos terreiros, funções responsáveis pela organização espiritual, ritual, administrativa e social desses espaços.
Durante a cerimônia, homenageados receberam moções de louvor em reconhecimento ao trabalho desenvolvido nas comunidades tradicionais de matriz africana. O evento também foi marcado por manifestações em defesa da liberdade religiosa e pelo enfrentamento ao racismo religioso.
Fábio Felix destacou a importância da presença dos povos de terreiro nos espaços institucionais e criticou os ataques sofridos por praticantes das religiões de matriz africana. “Não à toa tantos ataques aos nossos terreiros, às comunidades tradicionais e às pessoas com suas vestimentas, com suas tradições”, afirmou.
O parlamentar também lembrou a aprovação da Lei Distrital nº 7.226/2023, que instituiu diretrizes para o Programa Distrital de Combate ao Racismo Religioso.
Segundo o deputado, os terreiros exercem papel fundamental que vai além da dimensão espiritual. “Os povos de terreiro têm que ter voz ativa e respeitada na educação, têm que ter voz ativa e respeitada na saúde, na segurança pública, em todas as áreas que são fundamentais para a sociedade”, declarou.
Acolhimento e resistência
O presidente da Federação Uirapuru, Anísio de Melo, ressaltou que o funcionamento dos terreiros depende do trabalho coletivo realizado por diferentes integrantes das comunidades. “Tem muita gente que faz um terreiro funcionar, aquele que limpa, aquele que cozinha, aquele que dá o suporte direto para o sacerdote”, disse.
A presidente do Instituto Batuquemos e curimbeira, Nayara Souza, destacou a importância da Curimba nas tradições religiosas. “Hoje eu recebo com muita gratidão a oportunidade de representar as curimbeiras, mulheres que, por meio do canto, do toque e da dedicação, ajudam a sustentar a fé, a tradição e a ancestralidade dentro dos nossos terreiros”, afirmou.
A dimensão cultural e comunitária dos terreiros também foi destacada pela secretária da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da CLDF, Dani Sanchez.
“A gente quer que as nossas tradições continuem sendo reconhecidas e valorizadas. Como tradição, como princípio, meio e fim. Porque tudo o que temos hoje no Brasil tem um pouco de candomblé”, afirmou.
Segundo ela, os terreiros seguem sendo espaços de acolhimento para grupos historicamente marginalizados. “Acolhem pretos, pobres, LGBTs, corpos gordos, corpos magros, pessoas que muitas vezes são invisibilizadas pela sociedade”, afirmou.
Os chamados cargos de sustentação incluem funções sacerdotais, ritualísticas e administrativas que garantem a organização e a continuidade das atividades nos terreiros. Entre elas estão lideranças espirituais, auxiliares diretos, ogãs, curimbeiros, cambonos e ekedis, responsáveis por diferentes aspectos da vida religiosa e comunitária.
*Com informações da Agência CLDF.
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