Instituições de pesquisas socioeconômicas e de combate às desigualdades se juntam a movimentos sociais para lançar a campanha “Justiça Tributária Já!”, que tem como objetivo a reorganização do sistema tributário brasileiro, com foco na derrubada de privilégios para os super-ricos e garantindo direitos em uma nova plataforma de justiça fiscal. Em Pernambuco, a iniciativa conta com um lançamento oficial nesta quinta-feira (18), a partir das 18h30, no auditório do Sindicato dos Bancários, no bairro da Boa Vista, centro do Recife.
A campanha parte de instituições como o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Oxfam Brasil, somando-se a mais de 70 entidades em todo o país, entre movimentos populares, sindicais e estudantis. A movimentação parte do debate sobre a arrecadação desequilibrada de impostos no país, com os segmentos da população de menor renda contribuindo com a maior parte da arrecadação fiscal, enquanto os mais ricos contam com uma taxação proporcionalmente menor, elevando a concentração de renda e desigualdades.
Rosangela Sena, do Dieese e da subseção do Sindicato dos Bancários e integrante do Comitê Popular de Luta dos Bancários de Pernambuco, aponta que a campanha busca um sistema de tributação progressivo, no qual o grande peso da carga tributária não recaia sobre a classe trabalhadora, mas sim no 1% da população que concentra cerca de 63% da renda do país, com uma taxação já inclusive constitucionalmente prevista.
“Uma das nossas principais propostas é fazer com que o sistema tributário atenda à nossa Constituição em sua determinação de que ele deve considerar, sobretudo, a capacidade contributiva de cada indivíduo. Então não faz nenhum sentido as pessoas com menor ter um peso excessivo de carga tributária do que a população que concentra a maior parte da renda brasileira”, explica Rosangela. Ela ainda aponta que um sistema progressivo abre portas para uma arrecadação que melhore a oferta e qualidade de serviços básicos à população e diminua as desigualdades e concentração de renda.

