A Campanha Mãos Solidárias, iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), iniciou nesta sexta-feira (1º) uma força-tarefa nas cozinhas populares solidárias para preparar refeições destinadas às vítimas das chuvas no Grande Recife. A mobilização começou no início da tarde, após os primeiros registros de deslizamentos e alagamentos, e segue ao longo deste sábado (2).
Os organizadores fazem um apelo por contribuições financeiras para a compra de alimentos, além do engajamento de voluntários nas diversas frentes de solidariedade. Segundo o coordenador nacional da campanha, Paulo Mansan, atualmente há 26 cozinhas solidárias em funcionamento sendo que destas, 12 estão temporariamente afetadas pelas chuvas e alagamentos.
“Ainda assim, a estrutura segue ativa, e 14 dessas cozinhas têm capacidade de produzir cerca de 5 mil marmitas, dependendo da chegada de doações”, afirmou.
As doações podem ser realizadas presencialmente nas cozinhas ou por meio do PIX oficial da campanha (veja abaixo). Também há necessidade de alimentos, especialmente proteínas, destinados à unidade localizada nas proximidades do antigo Armazém do Campo, na Rua do Imperador, no centro do Recife. Além das doações, a campanha também pede o apoio de voluntários.
“Qualquer pessoa pode se voluntariar, sem necessidade de especialização prévia. As atividades são diversas e vão desde apoio na comunicação até atuação como motorista, além de tarefas na cozinha, como preparação de alimentos. Há múltiplas formas de contribuir”, explicou Mansan.
A Campanha Mãos Solidárias surgiu em 2020, no contexto da pandemia de covid-19. Naquele período, o movimento atuou na distribuição de alimentos, no apoio sanitário com agentes populares de saúde e em ações de comunicação para combater a desinformação sobre o vírus.
Em 2022, a iniciativa também teve destaque no apoio às vítimas das chuvas no Grande Recife, com mobilização de voluntários para distribuição de alimentos, colchões e roupas. Naquele ano, Pernambuco registrou 133 mortes em decorrência de eventos climáticos extremos — 44 delas no bairro de Jardim Monte Verde, localizado entre Recife e Jaboatão dos Guararapes.
“Todo ano, se repete a mesma história, nos mesmos territórios. Esse cenário evidencia um processo de desigualdade estrutural, associado ao que chamamos de racismo ambiental. As populações mais pobres são as principais atingidas, enquanto áreas mais ricas sofrem impactos menores, geralmente restritos a transtornos urbanos como alagamentos, sem consequências mais graves relacionadas à moradia ou ao acesso a serviços básicos”, avaliou o coordenador.
“Nós atuamos justamente onde o Estado não chega — ou deixa de chegar por escolha política”, concluiu.
Como ajudar
Associação Juventude Camponesa
PIX: 09423270000180
Contato
(81) 998553121

