A ex-deputada federal Carla Zambelli solicitou a substituição dos juízes que acompanham o seu caso na Corte de Apelação de Roma. A justificativa apresentada é que os magistrados estariam agindo de forma hostil no julgamento da extradição da ex-deputada.
O pedido foi feito em audiência realizada na terça-feira (20), ocasião em que os magistrados rejeitaram solicitações feitas pela defesa, como o acesso a mais informações sobre o cárcere onde Zambelli deverá cumprir pena no Brasil.
Segundo nota emitida por Alessandro Silveri, advogado da Advocacia Geral da União (AGU), que representa o Brasil contra a ex-deputada, a própria condenada tomou a palavra durante a audiência para apresentar um pedido de impedimento dos juízes.
“Ao final da audiência, a sra. Zambelli pessoalmente — e não seus advogados — tomou a palavra para contestar um suposto clima de ‘hostilidade’ contra ela, não melhor especificado”, diz o comunicado.
Silveri explica que esse é um direito previsto na legislação processual italiana “para qualquer pessoa envolvida em um processo penal”. O pedido de troca de magistrados precisa ser apresentado por escrito nos próximos dias pela defesa da ex-deputada.
Nova data da audiência
A Corte de Roma marcou para o dia 11 de fevereiro a nova audiência sobre a extradição da ex-deputada. A data foi informada após a decisão ser adiada pela quarta vez. A audiência realizada nesta terça-feira acabou sendo suspensa.
Condenada no Brasil como autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli cumpre pena no presídio feminino de Rebibbia, em Roma (Itália).
Ela também foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso em que perseguiu um homem na rua, em São Paulo (SP), apontando uma arma, nas vésperas das eleições presidenciais de 2022.
Ainda que a decisão da Corte de Apelação de Roma autorize a extradição, Zambelli poderá recorrer à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana.

