Após a conclusão do inquérito policial que investiga a morte do menino Benício Xavier de Freitas6 anos, que recebeu uma dose de adrenalina na veia, a médica Juliana Brasil, responsável pela aplicação, foi indiciada pela Polícia Civil do Amazonas pelos crimes de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, falsidade Ideológica, uso de documento falso e fraude processual.
O relatório final aponta que não há dúvidas quanto à autoria e materialidade dos delitos imputadosrestando comprovada a morte decorrente de erro médico. O indiciamento será submetido à Justiça para o início da ação penal.
UM CNN Brasil teve acesso ao documento e identificou que Benício veio à óbito por overdose de adrenalina. A criança teve piora do quadro de saúde assim que Juliana prescreveu o uso do medicamento via intravenosa ao paciente. Ele apresentou sintomas de palidez, olhos protuberantes e se queixou de dores.
Médica assumiu o erro
De acordo com a polícia, a médica havia assumido ainda seu erro em mensagens por whatsapp e também em um prontuário médico. A investigação apontou que, após a morte da criança, Juliana tentou adulterar a própria prescrição médica para, segundo testemunhas, se isentar de qualquer culpa por seu próprio receituário.

No documento, a médica diz que “prescreveu erroneamente adrenalina por via endovenosa”. Porém, em um primeiro momento, tenta responsabilizar a mãe de Benício pela aplicação errada.
Falsificação, fraude processual e indiferença
Conforme a investigação, Juliana continha um carimbo profissional inscrito “Pediatria”, mas foi constatada a não capacitação profissional, segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina).
Ela também teria adulterado um vídeo em que mostra o problema no sistema de informações hospitalares, além de ser ausentar da unidade no momento em que o menino apresentava estado de saúde grave.
“A investigada não apenas assumiu o risco do resultado morte, como também se mostrou absolutamente indiferente à sua concretização, preocupando-se, desde os primeiros momentos, não com a vida da vítima, mas com a construção de estratégias para evitar sua responsabilização penal”, diz inquérito policial.
Além das práticas fraudulentas, foi constatado no inquérito que Juliana realizava a venda de produtos de maquiagem através de um aplicativo de mensagens enquanto Benício passava mal. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, o celular de Juliana foi apreendido e, a partir das extrações das conversas, foram identificadas trocas de mensagens com teor comercial.
Para as autoridades, a conduta, alheia à situação crítica em que se encontrava a criança, evidencia desvio de foco e quebra de prioridade assistencial do caso.
UM investigação também apontou que Juliana adulterou um vídeo das câmeras do hospital que foi apresentado por sua defesa. A produção desses materiais era realizada pela irmã da investigada e por uma outra médica.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa da médica. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolna Figueiredo

