Caso Césio-137 expõe ‘racismo estrutural’, afirma atriz de série da Netflix que retrata tragédia de 1987

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Em 1987, Goiânia (GO) foi cenário do maior acidente radioativo fora de uma usina nuclear no mundo. Dois catadores de recicláveis encontram, dentro de uma clínica de radioterapia desativada, uma cápsula contendo Césio-137, manipulam o objeto e, a partir daí, centenas de pessoas são contaminadas pelo material radioativo.

Quatro pessoas morreram pelo contato direto e imediato com a substância no mesmo ano da tragédia, ao longo dos anos, pelo mais de 100 vítimas perderam a vida em função de complicações decorrentes da contaminação, com quadros cardiácos e de câncer, segundo a Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio). A série brasileira Emergência Radioativada Netflix, é baseada nesta história.

Segundo a atriz Júlia Portes, que interpreta a personagem Bianca, na série, esposa de um dos físicos nucleares que ajudou a contornar o problema, o episódio escancara o racismo estrutural ainda presente na sociedade, uma vez que as principais e primeiras vítimas eram pessoas que viviam em regiões periféricas, em situação de vulnerabilidade social e, em sua maioria, negras.

“Muitas falhas estruturais ficaram em evidência e a série retrata isso muito bem. O racismo estrutural está bem retratado na série e esse é ainda um dos grandes problemas do nosso país. A gente teve erro do Estado, dos donos do terreno, dos médicos e as vítimas sofreram muito com aqueles erros todos”, avalia.

“A gente percebe que quando um problema dessa magnitude acontece as coisas recaem nas costas das pessoas mais vulneráveis. Isso é muito triste e precisa ser combatido dia a dia. Acho que estudar para essa série é uma tomada de consciência e também uma tomada de responsabilidade a partir dessa tomada de consciência”, continua Portes.

A atriz conta que o elenco recebeu muito apoio durante todo o processo, em especial do diretor Fernando Coimbra, e que muitas das construções dos personagens, embora de núcleos diferentes, foram feitas coletivamente, a partir dos ensaios e encontros para tratar sobre o tema.

Para ela, o cinema tem um grande poder de transformação social. “Acho que a ficção tem o poder de aproximar as pessoas dos acontecimentos. Eu tenho recebido mensagens de jovens, de estudantes que desconheciam essa caso e que falam que estão estudando essa história. Eu acho que a ficção ela é um bálsamo para poder cuidar das nossas memórias, para que a gente possa não repetir os mesmos erros do passado”, conclui.

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