A operação da Polícia Federal que citou Jaques Wagner no contexto do caso do Banco Master rapidamente se tornou munição política para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira pessoas próximas ao pré-candidato já avaliam o episódio como um trunfo, com potencial de impactar diretamente a imagem do presidente Lula.
De acordo com interlocutores consultados por Clarissa, Flávio tomou conhecimento da operação da PF ainda pela manhã, quando estava em São Paulo para o lançamento de seu plano de segurança pública — agenda programada com antecedência, mas que acabou ganhando um contexto politicamente favorável ao pré-candidato.
Estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro
A equipe de campanha ainda não havia se reunido formalmente para definir os detalhes da estratégia, mas há um ponto que, segundo as fontes ouvidas pela CNN, será certamente explorado: o elo entre Jaques Wagner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A avaliação interna é de que o caso supera em relevância política o episódio conhecido como “Dark Horse”, dado o peso da figura de Wagner dentro do PT e sua relação de longa data com Lula.
“A gente não está falando de qualquer quadro do PT”, afirmou Clarissa Oliveira.
“Estamos falando de um amigo de longuíssima data do presidente Lula, um dos homens da sua absoluta confiança”, explicou.
A analista destacou ainda que Wagner é uma figura historicamente influente dentro do partido, ligada à corrente interna que hoje se identifica como a mesma do presidente, e que chegou a ser cotado, em determinado momento, como possível herdeiro político de Lula — antes mesmo de Fernando Haddad e de Dilma Rousseff se consolidarem como presidenciáveis.
Impacto político e preocupação no PT
A proximidade de Wagner com Lula é justamente o que torna a situação delicada para o governo.
“A gente está falando de alguém com potencial de contaminar sim o presidente Lula, a campanha do presidente Lula”, avaliou Clarissa Oliveira.
Segundo a analista, havia entre alguns petistas a preocupação de que o melhor caminho para Wagner seria se afastar do cargo para se defender, mas prevaleceu a decisão de aguardar os próximos desdobramentos do caso.

