Catto: ‘O palco é meu lugar de afirmação’

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“Eu gosto de estar aberta e dizer sim para as coisas”. É assim que a cantora e compositora Catto fala sobre seus mergulhos musicais e performáticos, durante os mais de 15 anos na estrada. Intensa, presente e de coração aberto para a liberdade de ser e de fazer a música que para ela faz sentido. É assim que a artista chega após quase um ano do lançamento do último álbum “Caminhos Selvagens”, que começou a ser trabalhado em 2018 e foi profundamente influenciado por sua transição de gênero.

“É um disco de composições minhas. É como se fosse um monólogo esse disco, em termos da criação. Depois esse monólogo virou com muitas parcerias; são muitas camadas de sons. A coisa do escrever foi muito visceral, muito interiorizada, de abrir o coração e contar coisas muito íntimas, de buscar soluções melódicas muito intuitivas, muito selvagens mesmo. Toda aquela música veio de um lugar que eu demorei 30 e tantos anos para acessar”, conta Catto, no episódio 110 de Sabe Som?em conversa com o apresentador Thiago França.

“Eu acho que o ‘Caminhos Selvagens’, pra mim, é um disco que é quase como se fosse um debut. É o disco que eu gostaria de ter escrito com 17 anos de idade, 18. Porque ele tem uma coisa um pouco ridícula nas letras, tem uma coisa meio adolescente, não tem problema. Eu acho que tem uma coisa de falar de amor de um jeito muito direto. Que agora eu posso encarar e que antes, talvez não”, avalia.

Os anos de pandemia também influenciaram o estágio da cena musical em que ela está hoje: “Eu aprendi muito. Hoje sou mais autossuficiente. E foi importante também pra dar um mergulho dentro da minha própria loucura, dentro das pequenas arestas que fazem a gente ser quem a gente é”, continua.

A artista reflete sobre a importância de ter um público consistente como artista independente no Brasil e a liberdade de fazer o que se gosta sem se preocupar com algoritmos. “Mais importante do que um público grande é um público de consistência, porque eu acho que ser um artista que tem 15 anos de carreira, sendo artista independente no Brasil, hoje ter um público consistente fazendo o que a gente gosta, o que a gente acredita, sem precisar fazer concessão na sonoridade do nosso trabalho, sem se preocupar com algoritmo, é uma coisa maravilhosa”, afirma.

Catto também falou um pouco sobre a importância da performance no seu trabalho e da relação que tem com o palco. “É um comprometimento com a obra mesmo. É uma coisa religiosa. E com subir no palco. É religioso. Eu acho que a coisa de ter um certo ritual, ter uma mística, existe um negócio muito maluco, ter uma mística, existe um negócio muito maluco, que só quem toca, quem vive disso sabe o que é.”

Ouça o episódio completo:

Ó podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.

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