‘Chefes de Estado não precisam se gostar para tratar de interesses de seus países’, diz analista sobre Lula e Trump

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O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7) durou aproximadamente três horas e foi marcado por tratativas com relação à barreira tarifária, equiparação do narcotráfico ao terrorismo e minerais críticos.

A reunião diplomática bilateral teve saldo positivo para o Brasil, avalia o analista internacional Thiago Lacerda Nobre, mestrando em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e membro do Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (Opeb), em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

“Só o fato de ter havido esse encontro e das duas partes terem feito elogios, sobretudo o Lula falando sobre Trump de uma forma amistosa e a publicação de Trump na (rede social) Truth Social, já é um sinal de que a diplomacia dos países começa a a fluir. Nós sabemos que há o aspecto político por trás disso, mas em diplomacia a gente tem que entender que são dois chefes de Estado, dois líderes que devem conviver e assim parece que fizeram de uma forma amistosa, em um cenário bastante desafiador, com a presença da China”, afirma. “Acho que os países conseguiram superar suas ideologias e caminhar de acordo com seus interesses. Chefes de Estado não precisam se gostar para tratar de interesses que são afeitos aos seus respectivos países”, continua.

Com relação a Cuba, Nobre ressalta o perfil menos político e mais negociador do presidente estadunidense, que fala uma coisa e depois volta atrás com muita facilidade. “Ele é negociador, fez a vida dele negociando, usa muito do discurso e esses discursos nem sempre se tornam reais. Eu acredito, analisando toda essa situação e com base até no que foi dito pelo presidente Lula, que realmente não deve haver nenhum tipo de invasão”, pontuou.

Perguntado se discutiu com Trump a situação cubana, Lula disse “ter ficado com a impressão de que ele disse que não pensa em invadir Cuba”. O brasileiro, no entanto, ressaltou que isso foi o que entendeu da tradução simultânea.

O analista também destacou na fala de Lula após o encontro o caráter de valorização dos EUA como parceiro comercial. “O assunto girou todo na parte econômica, me parece. Mas o Pix também não foi objeto de discussão”, avalia Nobre.

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