Chegou a hora de um novo passo, com responsabilidade e união pelo futuro do povo brasileiro

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Por Bella Gonçalves


A história, como nos ensina Guimarães Rosa, é “quente e fria”, e exige de nós comprometimento e responsabilidade. E este ano, sem dúvida, é um dos mais importantes da história do Brasil. É com esse compromisso, e com profundo senso de responsabilidade com Minas Gerais, com o povo mineiro e com o Brasil, que anuncio hoje minha filiação ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.

É uma decisão coletiva construída a partir da leitura do tempo que vivemos e dos desafios que estão colocados diante de nós. Sigo, ainda assim, lado a lado, com meus companheiros e companheiras da Revolução Solidária. O mundo atravessa uma nova onda de extrema direita e países inteiros têm sofrido ataques às suas soberanias.

Vivemos uma encruzilhada histórica, em que o futuro do Brasil será definido pela nossa capacidade de construir unidade no campo democrático e popular para enfrentar a extrema direita e garantir melhores condições de vida para o nosso povo. O momento pede de nós responsabilidade: responsabilidade com a história e com as lutas do presente para construirmos juntos um futuro de igualdade e dignidade.

Nunca foi fácil para a esquerda. Nunca foi fácil para aqueles e aquelas que dedicaram suas vidas à construção de um país mais justo, mais humano, sem o abismo da desigualdade social. Mas também é verdade que sempre estivemos na linha de frente das grandes lutas populares do Brasil. É dessa tradição que eu venho e é ela que me faz seguir o caminho que escolhi.

Ao longo de mais de 20 anos de militância e 10 anos de vida na política institucional, sempre caminhei com o pé no barro, ao lado dos movimentos sociais, das ocupações, das lutas por moradia, da juventude, das mulheres, da população negra, das pessoas LGBTQIA+.

Batalhas fundamentais

Em Minas Gerais, travamos batalhas fundamentais: pela Tarifa Zero no transporte público, pela defesa das mulheres e pelo fim do feminicídio, pela proteção do meio ambiente diante da mineração predatória, pela erradicação da miséria, pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, pelo aumento real do salário mínimo, pela dignidade e segurança da população LGBTQIA+ e pelo direito à moradia, luta na qual me formei militante. Nossa luta sempre foi, e segue sendo, para acabar com a desigualdade social no nosso estado e no nosso país.

Foi com esse compromisso que atuei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e também na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Ao lado de tantas companheiras de luta, como Áurea Carolina, Iza Lourença, Cida Falabella e Célia Xakriabá, construímos, na prática, um projeto político enraizado na vida real do povo.

Nunca nos faltou coragem para travar as batalhas pela dignidade do povo mineiro. E também nunca nos faltou coragem para avançar nas disputas de valores da esquerda, sem perder a esperança, a alegria e a capacidade de dialogar com o povo trabalhador.

O Partido Socialismo e Liberdade foi a nossa casa por mais de dez anos. Construímos esse partido em Minas Gerais com muito esforço, desde suas bases. E essa história segue viva em mim.

O momento pede união das esquerdas e de todo o campo progressista e democrático em nome da continuidade de um caminho de luta. Sigo ao lado das minhas companheiras e companheiros, nos movimentos sociais, no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Sem Direitos, na Revolução Solidária e em tantos espaços que seguem organizando o povo com todos que confiam no nosso projeto de um Brasil popular.

Conto com todos para avançarmos juntos nas lutas e todos sabem que podem contar comigo para estar na linha de frente das disputas políticas da nossa geração.

Há momentos em que é preciso clareza dos rumos da história. Quando me coloquei como candidata à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024, aceitei o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compor como vice na chapa com Rogério Correia, porque já ali compreendemos que a unidade do nosso campo ampliava nossa capacidade de disputar corações e mentes e enfrentar a extrema direita.

A história exige o melhor de nós

A minha trajetória sempre esteve conectada com a trajetória do presidente Lula. Mesmo em partidos diferentes, sempre estivemos do mesmo lado da história. Estivemos juntos contra o golpe e em defesa de Dilma Rousseff e da democracia brasileira, estivemos nas ruas pelo Lula Livre, estivemos juntos em 2022 para derrotar Jair Bolsonaro, sem anistia, e estaremos, agora mais do que nunca, juntos para impedir que a extrema direita volte ao poder.

Lula é um líder que veio do povo, que dedicou sua vida ao povo, e que hoje representa um projeto concreto de reconstrução do Brasil. O Brasil tem a bênção de ter uma liderança com o compromisso humano tal qual Lula.

Nossa missão é clara: reeleger Lula e construir um Congresso Nacional que esteja, de fato, ao lado do povo. Não podemos mais aceitar um parlamento que atua contra a maioria da população. Precisamos eleger uma bancada forte, popular, comprometida com a vida real das pessoas, com as políticas públicas que fazem diferença no cotidiano, capaz de enfrentar os inimigos do povo e governar junto com Lula.

O governo Lula já demonstra, na prática, esse compromisso: a ampliação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, políticas de acesso ao gás de cozinha, a defesa do fim da escala 6×1, as políticas para dar dignidade aos trabalhadores que fazem entregas por aplicativo, o avanço do debate sobre tarifa zero no transporte público e o combate ao feminicídio.

São medidas que mostram que, mesmo em condições duras e adversas, é possível governar para quem mais precisa,  pois só assim teremos um país que é bom para todos.

É por isso que agora chegou a hora de uma união sem precedentes. Chegou a hora de somar forças para vencer as próximas eleições e apontar os caminhos do futuro da esquerda no Brasil.

Sabemos da nossa responsabilidade: os próximos anos vão exigir de nós toda a nossa energia, toda a nossa capacidade de organização e toda a nossa disposição de luta. Será preciso construir, com unidade e força máxima, um campo político capaz de enfrentar os inimigos do povo e garantir a manutenção dessas políticas e avanços concretos para o povo brasileiro.

Eu vou para o Partido dos Trabalhadores para travar essas lutas. Vou para somar forças, para construir o futuro da esquerda em Minas Gerais e no Brasil, ao lado de companheiros e companheiras com quem já dividimos tantas batalhas.

Sigo caminhando junto a quem construiu essa trajetória comigo até aqui, fortalecendo candidaturas comprometidas com o povo, como a de Áurea Carolina e Marília Campos ao Senado, e ampliando a presença de mulheres de luta e de uma esquerda popular no Congresso Nacional.

Conto com cada pessoa que esteve conosco nessa caminhada para, juntos, fazermos de Minas Gerais um estado decisivo na eleição do presidente Lula e na construção de um Brasil mais justo. Precisamos aumentar nossa bancada, fortalecer a esquerda e garantir que o Congresso esteja à altura das necessidades do nosso povo.

Essa é uma escolha que carrega um sentido profundo: responsabilidade e união pelo futuro da esquerda brasileira. Porque o que está em jogo não é apenas uma eleição. É o projeto de país que vamos construir hoje para as futuras gerações.

A história exige o melhor de nós, coerência e coragem!

E somos melhores quando caminhamos com quem luta ao lado certo da história, com quem não abre mão da esperança e com quem não tem medo de ser feliz.

É com essa responsabilidade e união que vamos construir o futuro da esquerda do Brasil e de Minas Gerais!

Viva a luta da classe trabalhadora!
Viva a luta do povo brasileiro!

Bella Gonçalves é a primeira deputada lésbica de MG (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, luta pelo direito à cidade e meio ambiente.

Leia outros artigos de Bella Gonçalves em sua coluna no jornal Brasil de Fato MG.

Este é um artigo de opinião. A visão da autora não expressa necessariamente a linha editorial do jornal.

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