O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, confirmou nesta segunda-feira (11) que o presidente Xi Jinping receberá seu homólogo estadunidense, Donald Trump, em visita de Estado a Pequim nesta semana, de 13 a 15 de maio. É a primeira viagem de um presidente dos Estados Unidos à China em nove anos. A última havia sido feita pelo próprio Trump, em 2017.
“A convite do presidente Xi Jinping, o presidente Trump realizará uma visita de Estado à China. Será o segundo encontro presencial entre os dois chefes de Estado desde a reunião em Busan, em outubro passado”, disse Guo em coletiva de imprensa nesta segunda.
O porta-voz disse que Xi conduzirá com Trump “um aprofundado intercâmbio de visões sobre questões importantes relativas às relações China-EUA e à paz e ao desenvolvimento mundiais”. Segundo Guo, a diplomacia de cúpula “exerce um papel insubstituível no direcionamento estratégico das relações bilaterais”.
Em 30 de abril, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi conversou por telefone com o secretário de Estado estadunidense Marco Rubio, como parte das preparações da visita. O vice-premiê He Lifeng viajará com uma delegação à Coreia do Sul para consultas econômicas e comerciais com a parte estadunidense, nos dias 12 e 13 de maio, segundo a agência Xinhua.
Em evento do grupo de reflexão Hudson Institute em 7 de abril, o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, afirmou que os EUA “não estão procurando confrontação massiva” com a China e que o objetivo da visita de Trump é “manter a estabilidade”, com foco em garantir o acesso estadunidense a terras raras, segundo a Reuters.
Na última sexta-feira (8), em entrevista à Notícias da raposaGreer reiterou que os EUA não pretendem remodelar a economia chinesa, mas reequilibrar o comércio bilateral. A delegação estadunidense incluirá executivos de grandes empresas como Nvidia, Apple, Exxon, Boeing, Qualcomm e Citigroup, segundo o Semafor, informação confirmada pela Reuters e pela CNBC.
A questão de Taiwan também deverá ser abordada. Em interações anteriores com Trump, Xi reiterou que Taiwan é “a questão mais importante nas relações China-EUA” e que envolve “soberania nacional e integridade territorial”, segundo comunicados do governo chinês.
A situação no Oriente Médio, em especial o Irã, também deve constar na pauta. A visita de Trump, originalmente prevista para março, foi adiada em função da escalada do conflito na região, segundo a agência de notícias Serviço de Notícias da China (CNS). A posição da China permanece a de que a prioridade imediata é “um cessar-fogo imediato e abrangente” e que as grandes potências devem exercer “um papel construtivo”.
“A China está disposta a trabalhar com os Estados Unidos, no espírito de igualdade, respeito e benefício mútuo, para ampliar a cooperação, administrar as diferenças e injetar mais estabilidade e certeza em um mundo turbulento e em transformação”, declarou o porta-voz Guo.
A visita de Trump a Pequim será o segundo encontro presencial entre os dois líderes neste segundo mandato do presidente estadunidense.
O encontro anterior ocorreu em 30 de outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul, quando os dois mandatários se reuniram por uma hora e meia e anunciaram um pacote de acordos comerciais negociados previamente em Kuala Lumpur, incluindo a eliminação da tarifa de 10% sobre produtos chineses alegadamente ligada ao combate ao fentanil e a suspensão por um ano das tarifas recíprocas de 24%.
Antes disso, em 5 de junho de 2025, Trump havia ligado para Xi numa conversa de 90 minutos que, segundo a Xinhuaocorreu a pedido do lado estadunidense, quando os dois líderes concordaram em dar seguimento às negociações comerciais e trocaram convites de visita. O encontro de Busan foi o primeiro presencial desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, após uma pausa de seis anos nas cúpulas bilaterais.

