China exige que Israel cumpra integralmente o acordo de cessar-fogo com Gaza

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O representante permanente da China na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixador Fu Cong, exigiu na terça-feira (28), durante debate público do Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio, que Israel encerre imediatamente as atividades ilegais de assentamentos na Cisjordânia, permita o acesso irrestrito de ajuda humanitária a Gaza e cumpra integralmente o acordo de cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado.

“Gaza não é um campo de batalha permanente”, afirmou Fu. O diplomata alertou que, desde outubro de 2025, Israel intensificou ataques e obras de infraestrutura militar em áreas sob trégua, assassinando mais de 800 palestinos e ferindo cerca de 2 mil. A ONU registra, desde o início dos ataques israelenses em 7 de outubro de 2023, um total de 72.593 palestinos assassinados e 172.399 feridos, segundo autoridades de saúde de Gaza apresentadas no debate.

Na última sexta-feira (24), forças israelenses mataram pelo menos 12 palestinos em ataques em diferentes regiões de Gaza, segundo fontes médicas locais consultadas pela Al Jazeera. Um ataque a um veículo policial em Khan Yunis matou ao menos oito pessoas, incluindo três civis. Outros dois policiais morreram na cidade de Gaza e dois civis foram mortos no bombardeio de uma residência em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.

Israel viola cessar-fogo permanentemente

O Ministério do Interior de Gaza denunciou que Israel atua de forma sistemática contra as forças policiais civis que atuam na restauração da segurança e na distribuição de ajuda humanitária. Segundo o ministério, “o silêncio das organizações internacionais diante do assassinato de policiais constitui cumplicidade com a ocupação israelense, encorajando-a a cometer novos crimes contra uma instituição civil protegida pelo direito internacional”.

Fu Cong cobrou que Israel levante as restrições ao acesso humanitário e garanta a atuação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês) e de outras agências de socorro, diante de uma crise marcada por escassez de suprimentos básicos, condições sanitárias precárias e um sistema de saúde à beira do colapso.

Cerca de 90% das infraestruturas hídricas de Gaza foram destruídas ou danificadas por ataques militares israelenses, segundo um relatório da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicado na terça (28). A MSF afirma que a privação deliberada de água segue “um padrão recorrente, sistemático e acumulativo” e constitui parte integrante do genocídio perpetrado por Israel.

Violência de colonos e expansão de assentamentos na Cisjordânia

Fu Cong também criticou a aceleração da invasão israelense na Cisjordânia, apontando que Israel aprovou recentemente a construção de 34 novos assentamentos e anunciou a reativação do assentamento de Sanur, fechado há anos.

O representante chinês na ONU denunciou a escalada da violência de colonos contra palestinos, com as forças de ocupação realizando buscas, prisões e ataques frequentes, além da elaboração de legislação que prevê pena de morte aplicada especificamente a palestinos.

O embaixador afirmou que as atividades de assentamentos violam o direito internacional e as resoluções do Conselho de Segurança, e que a ocupação ilegal prolongada não tornará nenhuma das partes mais segura, apenas aprofundará o ciclo vicioso. Israel deve, segundo Fu Cong, ouvir o chamado enfático da comunidade internacional, cessar imediatamente as atividades ilegais, conter a violência dos colonos e responsabilizar todos os autores de ataques.

Fu ainda expressou grave preocupação com declarações de autoridades israelenses que se opõem à solução de dois Estados, incluindo ameaças de “sufocar a ideia de um Estado palestino”. O embaixador reafirmou que a solução de dois Estados é “a única saída viável” e que qualquer arranjo alternativo deve respeitar o princípio de que os palestinos governam a Palestina. A China saudou a realização das eleições municipais palestinas na semana passada e defendeu o apoio internacional à criação de um Estado palestino independente, soberano, com base nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital.

‘Conflito só termina com fim da ocupação’

A ministra das Relações Exteriores da Palestina, Varsen Aghabekian Shahin, também discursou no debate do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que as ações de Israel em Gaza destroem as bases da coexistência pacífica.

“Para nós, palestinos, independentemente de nossa fé, este conflito é sobre a negação de nossos direitos e de nossa existência em nossa terra ancestral. Ele terminará com o fim da ocupação, com o reconhecimento de nossos direitos e com a independência de nosso Estado. A solução de dois Estados baseada na legitimidade internacional é o único caminho a seguir.”

O secretário-geral adjunto da ONU para o Oriente Médio, Khaled Khiari, ainda alertou que, longe dos holofotes das tensões regionais mais amplas, a situação em Gaza e na Cisjordânia está “em constante deterioração”.

A China reiterou sua disposição de trabalhar com a comunidade internacional para alcançar um cessar-fogo abrangente e duradouro em Gaza, pôr fim ao desastre humanitário, implementar a solução de dois Estados e, nas palavras de Fu Cong, “devolver a justiça à Palestina, a tranquilidade ao seu povo e a paz ao Oriente Médio”.

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