O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã com a reabertura do Estreito de Ormuz está marcado para durar até a próxima quarta-feira (22), enquanto as negociações não avançam. Enquanto isso, o presidente estadunidense Donald Trump afirma que vai manter a artilharia naval no canal, o que desagradou o governo iraniano.
O professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Reginaldo Nasser avalia que as condições da atual negociação são melhores que as anteriores, mas ainda está longe de significar um desfecho para o conflito. “É promissor, mas não significa que já possa dar isso como certo. A questão do Estreito, como já era de esperar, se tornou nevrálgica. E eu falo nevrálgica no sentido do Irã controlar o Estreito. É aquilo que ele vai conseguir negociar com os Estados Unidos”, afirma em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
Para Nasser, a fala de Trump sobre manter navios no Estreito de Ormuz é mais uma tentativa de fazer parecer que está no controle da situação. “Embora o Trump tenha dito, parece que não é bem assim. A dificuldade é grande para os Estados Unidos fazer esse controle no Estreito, daquilo que sai ou que entra. Portanto, ao que tudo indica, o Irã tem o controle dessa questão”, avalia.
Reginaldo Nasser defende que a informação de que o Irã estaria disposto a realizar modificações substanciais em seu programa nuclear é fruto de declaração unilateral de Trump e que é mais uma das muitas tentativas do estadunidense tentar criar a percepção de que tem domínio da guerra. “Na Al Jazeera já saiu um informe do governo iraniano de que isso não seria verdade e que não está na mesma negociação. Então esse jogo vai longe ainda, a gente vai ficar acompanhando.”
Apesar da ausência de informações oficiais, os EUA e Israel insistem em atacar o programa de enriquecimento de urânio do Irã, acusando o país de pretensões de ter uma bomba atômica. Questionado se essa pressão poderia fazer o Irã ser mais transparente nesse processo, Nasser acredita que não. “Seria muito temerário o Irã, depois de toda essa história, abdicar desse processo de enriquecimento urânio e abrir as portas da sua soberania. O Irã vai manter seu programa até porque cada vez mais a produção de artefato nuclear, de enriquecimento será importante como uma garantia para outros ataques. Porque mesmo que esse acordo dê tudo certo agora, quem garante que ele vai ser cumprido?”, questiona.
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