Definição sobre quem vai ao segundo turno presidencial no Peru só deve sair em meados de maio

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O resultado das eleições presidenciais do Peru, que definirá quem passará ao segundo turno, será conhecido apenas em meados de maio devido à lentidão da apuração e à análise de milhares de atas eleitorais, informou uma funcionária da autoridade eleitoral. Com 93,6% das atas contabilizadas nesta segunda-feira (20), os resultados parciais da eleição do domingo passado (12) apontam como favorita para o segundo turno a direitista Keiko Fujimori, com 17% dos votos.

O representante do campo popular, Roberto Sánchez (12%), e o candidato de extrema direita, Rafael López Aliaga (11,9%), disputam voto a voto uma vaga no segundo turno, marcado para 7 de junho. A diferença entre eles vem crescendo aos poucos, mas ainda é mínima: 14.092 votos.

“Nós prevemos, por volta da metade de maio, ter pelo menos os resultados presidenciais, que é o que precisamos para determinar o segundo turno”, disse Yessica Clavijo, secretária-geral do Jurado Nacional de Eleições, no sábado (18) à rádio RPP. Ela relacionou a lentidão da apuração ao processo de revisão de mais de 15 mil atas contestadas.

Segundo Clavijo, 30% dessas atas correspondem à eleição presidencial e o restante, à votação de deputados e senadores.

Keiko é filha do ditador de direita Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000. Ela disputou o segundo turno presidencial em 2011, 2016 e 2021, perdendo todas as vezes.

Roberto Sánchez é psicólogo, ex-congressista e foi ministro de Pedro Castillo, presidente de esquerda deposto em 2022. Ele lidera nas regiões amazônicas e andinas do Peru.

López Aliaga, ex-prefeito de Lima, é o candidato mais crítico do processo e pede sua “nulidade absoluta” após falar em “fraude eleitoral”. Ele ofereceu recompensas de US$ 5.800 (R$ 28.800) para quem enviar provas de irregularidades. Representante da ultradireita, ele diz não fazer sexo desde 1981 e se autoflagelar para evitar a tentação.

As eleições presidenciais de 12 de abril foram marcadas por problemas na distribuição de urnas e cédulas de votação, o que atrasou a abertura da jornada em vários centros eleitorais em Lima. A autoridade eleitoral teve que estender a votação até segunda-feira (13) para mais de 50 mil peruanos que ficaram sem votar em 13 locais que não abriram no domingo.

Promotores e policiais intervieram nas instalações da Oficina Nacional de Processos Eleitorais, responsável pela organização do pleito, e o chefe do órgão, Piero Corvetto, foi denunciado pelo Jurado Nacional de Eleições, junto com outros três funcionários, por supostos crimes contra o sufrágio.

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